Brazil negotiates football broadcast rights through two fragmented rival coalitions (Libra, the Liga do Futebol Brasileiro, and Liga Forte Uniao), reducing collective bargaining power. The English Premier League unified under one negotiation and generates roughly R$ 22 billion per year, approximately seven times more than the Brazilian Serie A. Brazil’s population is larger than England, Spain and Germany combined, yet its league earns a fraction of theirs. The Brazilian Football Confederation is attempting centralization by 2030, but fragmentation is costing billions annually. This structural inefficiency forces platforms to charge consumers unsustainable prices, making them uncompetitive against piracy.

Negociação de Direitos de Transmissão: Por Que o Brasil Ganha Muito Menos

Comparativo dos valores dos valores de direitos esportivos no mundo

A negociação de direitos de transmissão futebol no Brasil esconde um paradoxo perturbador: como um país com população 3,5 vezes maior que o Reino Unido, consegue ganhar sete vezes menos com esse mercado? A resposta está em uma única palavra: fragmentação. Não é acidental. É estrutural. É o resultado de decisões erradas que continuam custando bilhões a cada temporada.

Como Funciona a Negociação de Direitos de Transmissão no Futebol Brasileiro

Toda vez que você assina o Premiere, aquele dinheiro segue uma jornada. Primeiro, chega ao Grupo Globo. Em seguida, a Globo precisa pagar os direitos de transmissão para quem detém o produto: os clubes. Portanto, a saúde financeira do futebol brasileiro depende diretamente da qualidade dessa negociação.

Eis onde o modelo falhou. Em vez de os clubes negociarem como um bloco unificado, eles se fragmentaram em dois grupos rivais: a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e a Liga Forte União (LFU). Assim, em vez de uma liga com poder de barganha centralizado, existem duas entidades negociando em paralelo, muitas vezes em condições opostas. Por conseguinte, quem compra os direitos enfrenta adversários enfraquecidos que, além disso, competem entre si na hora de fechar contratos.

Os Números Revelam a Dimensão da Perda

Para entender a dimensão do problema, basta olhar os números da negociação de direitos de transmissão futebol no ciclo 2025-2029. O bloco Libra fechou contrato com o Grupo Globo por aproximadamente R$ 1,17 bilhão por ano. A LFU, por sua vez, atingiu receita anual de R$ 1,7 bilhão somando seus acordos com Globo, Record, Amazon Prime Vídeo e YouTube. Portanto, o total combinado do Brasileirão gira em torno de R$ 3,1 bilhões anuais. É um número que parece expressivo até você colocar o comparativo na mesa.

A Premier League, no ciclo 2025-2029, vale £13,2 bilhões em quatro anos, combinando £6,7 bilhões de direitos domésticos e £6,5 bilhões de direitos internacionais. Isso representa cerca de £3,3 bilhões por ano, o equivalente a aproximadamente R$ 22 bilhões anuais. Ou seja, a liga inglesa fatura cerca de sete vezes mais que a brasileira. A Inglaterra tem população menor. Tem menos torcedores. E, mesmo assim, conseguiu construir um produto sete vezes mais valioso. Esse é o custo real da fragmentação.

A Fragmentação Corrói o Poder de Barganha

Pense em lógica econômica básica. Quando você negocia como uma unidade coesa, tem força. Assim, consegue exigir preços maiores. Quando negocia dividido, enfraquece. Por conseguinte, aceita condições piores porque não tem outra saída.

No Brasil, a Globo negociou com o bloco Libra sabendo que a LFU precisava fechar seus próprios acordos ao mesmo tempo. Além disso, havia tensões internas dentro de cada bloco, como a disputa judicial entre o Flamengo e o bloco Libra sobre repasse de direitos, que veio a público em 2026. Logo, o poder de quem vende ficou comprometido dos dois lados. Assim, os valores pagos pelos direitos ficaram abaixo do potencial real do produto.

O Modelo Europeu Mostra o Que é Possível

A Premier League não vale £3,3 bilhões por ano porque o futebol inglês é intrinsecamente melhor. Ela vale esse montante porque 20 clubes decidem negociar como um produto único. Portanto, a receita é transparente, distribuída de forma equilibrada, e cada clube tem incentivo para investir porque o bolo é muito maior.

O resultado prático é brutal: em 2024/25, o Southampton (último colocado na Premier League) recebeu £109,2 milhões apenas em receita de transmissão. Um clube campeão brasileiro recebe uma fração disso. Especialmente porque o Brasileirão, fragmentado, parte de um bolo três a sete vezes menor dependendo da referência de comparação. Por isso, a desigualdade entre os clubes brasileiros é tão acentuada: clubes pequenos recebem pouco porque o produto como um todo vale pouco.

A Cadeia de Consequências Negativas

Quando a receita de direitos é menor do que deveria ser, uma cadeia de problemas se instala. Primeiro, os clubes ganham menos. Logo, investem menos em infraestrutura e elenco. Assim, a qualidade técnica cai. Depois, o consumidor fica menos engajado. Por conseguinte, a demanda por transmissão diminui. Finalmente, as plataformas precisam cobrar mais para compensar, e o torcedor paga caro demais por um produto que poderia custar menos se o bolo fosse maior.

Aqui entra a pirataria. Quando o preço é desproporcional ao valor percebido, o consumidor busca alternativas. O pirata entrega tudo por 25 reais. A plataforma legal cobra quatro vezes mais. Por isso, a pirataria não é um problema de crime. É um problema de precificação que nasceu na mesa de negociação de direitos anos atrás.

A CBF Reconhece o Problema e Age na Negociação de Direitos de Transmissão

Em abril de 2026, a Confederação Brasileira de Futebol deu início formal ao processo de unificação. A proposta é criar uma liga única, reunindo o bloco Libra e a LFU, para negociar os direitos de transmissão a partir de 2030, quando os contratos atuais expiram. O diagnóstico apresentado pela própria CBF é revelador: o Brasil, mesmo tendo população maior que Inglaterra, Espanha e Alemanha somadas, tem receita de direitos três vezes menor que a dessas ligas.

Além disso, o cronograma é ambicioso. A fase de “produto” deve ser concluída ainda em 2026. A comercialização dos novos direitos está prevista para 2027. A estrutura jurídico-administrativa da liga, para 2028. Portanto, qualquer ganho concreto só chegará em 2030. Enquanto isso, o Brasil segue deixando bilhões na mesa a cada rodada do Brasileirão.

Conclusão: O Problema Não É Crime, É Estrutura

A negociação de direitos de transmissão futebol não é um assunto de manchete. Mas é absolutamente fundamental para a saúde econômica de todo o ecossistema de mídia e futebol no Brasil. Quando a fragmentação reduz a receita, os preços ao consumidor sobem, a pirataria se torna racional e o produto deteriora. Por isso, o problema não é crime. É estrutura. E estrutura só se resolve com governança, não com repressão.

A CBF está tentando consertar isso agora. A questão é quanto o futebol brasileiro vai continuar perdendo até 2030. Quer entender como a fragmentação de mídia impacta também o mercado de CTV e streaming no Brasil? Explore os conteúdos do blog MADMIX ou fale com nossa equipe para uma análise estratégica do seu negócio nesse cenário.


Autor

  • Marcelo Natali é engenheiro e sócio-fundador da MADMIX, advisory especializada em monetização e estratégia para CTV, Streaming e Telecom na América Latina.Com mais de 16 anos de experiência no setor, construiu uma trajetória reconhecida na região, com passagens por empresas como Philips, Samsung, Opera TV, Metrological (Comcast) e Vewd (Xperi). Ao longo dessa jornada, atuou nas áreas de produto, vendas, marketing e pré-vendas, sempre na interseção entre tecnologia, conteúdo e receita. Hoje, pela MADMIX, ajuda operadoras, fabricantes e plataformas a transformar audiência em resultado.

Achou relevante? Compartilhe com quem constrói no ecossistema de CTV.
LinkedIn X
Newsletter MADMIX

Receba novos artigos
direto no seu email.

Análises sobre CTV, FAST channels, retail media e TV 3.0, sem enrolação, sem spam. Só quando publicamos algo relevante.

Fale com a MADMIX

Esse tema faz parte da sua agenda?
Fale com Marcelo e Ricardo.

Uma conversa de 30 minutos para entender seu cenário. Sem proposta automática, sem deck genérico. Se fizer sentido para os dois lados, avançamos juntos.

Falar com Marcelo e Ricardo →

Respondemos em até 24 horas. Agenda limitada.