The pandemic ended, but the world before it did not survive. In recent years, companies have had to navigate supply chain disruptions, geopolitical shifts, climate crises, and unprecedented technological acceleration, all at the same time. The telecom sector illustrates this transformation well: connectivity has moved from being a product to being infrastructure, while economic value migrates to platforms, data ecosystems and audience control. AI brings efficiency, automation and personalization at scale, but the real bottleneck is not the software. It is the human capacity to learn, unlearn and evolve. Organizations that interpret signals, test new approaches quickly and adjust their direction in real time are better equipped to survive. The greatest risk is continuing to manage an exponential world with mental models built for a reality that no longer exists.

O maior risco não é a IA. É a adaptação organizacional na era digital que está atrasada.

A pandemia acabou. O mundo anterior a ela, não. Nos últimos anos, empresas foram obrigadas a lidar ao mesmo tempo com rupturas nas cadeias globais de suprimentos, guerras, inflação persistente, eventos climáticos extremos e uma aceleração tecnológica que não dá sinais de desacelerar. O que torna esse cenário particularmente difícil não é apenas a velocidade das mudanças. É a forma como elas se conectam. Uma decisão política afeta cadeias produtivas inteiras. Um avanço tecnológico altera modelos de negócio consolidados. Uma crise climática impacta logística, energia e padrões de consumo. O ambiente corporativo deixou de ser linear, e a adaptação organizacional na era digital tornou-se a questão central de qualquer estratégia que queira sobreviver.

Quando a conectividade deixou de ser suficiente

O setor de telecomunicações é um dos retratos mais claros dessa transformação. Por décadas, conectividade foi o produto. Hoje, conectividade é infraestrutura. O tráfego cresce, o consumo digital aumenta e os investimentos continuam bilionários. Segundo dados da Conexis Brasil Digital, o setor investiu R$ 36,3 bilhões somente em 2025, com o número de antenas 5G crescendo quase 40% e chegando a 52 mil unidades. A receita bruta do setor alcançou R$ 338 bilhões no mesmo período.

Ainda assim, grande parte do valor econômico passou a ser capturada por plataformas, ecossistemas digitais e empresas que controlam dados, audiência, atenção e transações. A rede continua indispensável, mas deixou de ser suficiente. O desafio não é mais entregar velocidade. É transformar infraestrutura em plataforma de geração de valor. Quem ainda não entendeu essa distinção está operando com o mapa errado.

A PwC aponta, no seu Panorama Global de Telecomunicações 2024-2028, que operadoras estão em posição única para liderar a próxima onda, mas somente aquelas que souberem combinar experiência em infraestrutura, acesso a dados estratégicos e presença física para se tornarem nós centrais de uma nova rede de valor. Portanto, não basta ter a rede. É preciso saber o que construir sobre ela.

A IA como protagonista e como espelho

Nesse contexto, a Inteligência Artificial surge como protagonista da nova economia digital. Ela promete ganhos de eficiência, automação, personalização e redução de custos em uma escala nunca vista. Os números reforçam esse otimismo. Segundo levantamento recente publicado pela Sorting com base em dados do IBM Institute for Business Value, 82% dos líderes brasileiros acreditam que perderão vantagem competitiva se não conseguirem operar em tempo real. Além disso, 36% das empresas já projetam impacto transformador da IA em seus negócios, enquanto 24% relatam resultados em receita e eficiência muito acima do previsto.

No entanto, a IA também amplia desafios ligados à segurança, privacidade, governança e confiança. Deepfakes, ataques automatizados, manipulação de informação e vulnerabilidades digitais tornam a proteção de dados uma prioridade estratégica incontornável. A tecnologia avança rapidamente, mas os mecanismos de controle, regulamentação e adaptação organizacional nem sempre acompanham o mesmo ritmo. Por isso, a IA funciona como um espelho. Ela revela com clareza quem está preparado para o próximo ciclo e quem ainda está tentando responder às perguntas do ciclo anterior.

O gargalo não está no software

O problema mais profundo é que a transformação não é apenas tecnológica. Ela é humana. Empresas investem em IA, cloud, automação e análise de dados, mas continuam operando com estruturas, processos e modelos de gestão concebidos para um mundo muito mais previsível. A escassez de talentos qualificados, a dificuldade de adaptação cultural e a resistência à mudança tornaram-se obstáculos tão relevantes quanto qualquer limitação tecnológica.

Em muitos casos, o gargalo não está no software. Está na capacidade de aprender, desaprender e evoluir. Dados da Afferolab confirmam esse diagnóstico: saúde organizacional, sobrecarga cognitiva de lideranças e dificuldade de mobilizar competências críticas com velocidade são os principais freios de empresas que, do ponto de vista tecnológico, estão razoavelmente equipadas. Portanto, a questão que precisa ser respondida não é “qual ferramenta adotar?”. É “nossa organização está preparada para usar o que já tem?”

Adaptação como vantagem competitiva real

A consequência direta disso é que a vantagem competitiva está mudando de lugar. Durante décadas, ela esteve associada à escala, ao capital ou à eficiência operacional. Hoje, cada vez mais, ela está relacionada à capacidade de adaptação. Organizações que conseguem interpretar sinais, testar rapidamente novas abordagens e ajustar sua rota em tempo real tendem a responder melhor a um ambiente onde as mudanças são constantes e imprevisíveis.

O McKinsey Global Institute e o Gartner apontam, de forma convergente, que empresas com processos integrados de automação inteligente alcançam ganhos expressivos de produtividade, mas somente quando a transformação é gradual, sistêmica e acompanhada de redesenho organizacional real. Não basta comprar o modelo. É preciso ter a organização capaz de operá-lo.

O maior risco é o modelo mental errado

Talvez por isso o maior desafio dos próximos anos não seja a Inteligência Artificial, a geopolítica ou mesmo as transformações digitais em si. O verdadeiro risco está em continuar tentando administrar um mundo exponencial com modelos mentais construídos para uma realidade que já não existe. Porque, em um ambiente onde tudo muda ao mesmo tempo, a adaptação organizacional na era digital deixa de ser uma vantagem competitiva. Passa a ser uma condição de sobrevivência.

Isso vale para telecomunicações, streaming, Retail Media, publicidade digital e qualquer setor onde a velocidade de mudança do ambiente supere a velocidade de resposta das organizações. O mapa de 2019 não resolve o território de 2026. E continuar navegando com ele é, provavelmente, o maior risco que qualquer empresa pode assumir agora.

Na MADMIX, ajudamos empresas a entender onde estão nesse novo mapa e o que precisam construir para capturar valor na nova infraestrutura da mídia conectada. Se você quer entender como o seu negócio se posiciona nesse cenário, a conversa está aberta.

Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

Achou relevante? Compartilhe com quem constrói no ecossistema de CTV.
LinkedIn X
Newsletter MADMIX

Receba novos artigos
direto no seu email.

Análises sobre CTV, FAST channels, retail media e TV 3.0, sem enrolação, sem spam. Só quando publicamos algo relevante.

Estratégia CTV

Quer estruturar sua estratégia de CTV?

A MADMIX ajuda operadoras, fabricantes e publishers a construírem posição e receita no ecossistema de televisão conectada.

Falar com Marcelo e Ricardo →

Respondemos em até 24 horas. Agenda limitada.