Twenty years ago, Editora Abril dominated Brazilian print media. Major global brands, including big tech companies, advertised on its pages. It seemed unshakable. But the game was never about ad revenue. It was always about data. Digital platforms used traditional media as a launchpad, captured attention and behavioral intelligence, built infrastructure, and then migrated investment entirely. Broadcast TV may be facing a similar inflection point today. Strong reach and audience numbers sustain the present, but without data intelligence, digital integration, and the ability to connect attention to intent and conversion, the model gradually loses ground. The future belongs to media convergence: a single ecosystem where attention, intent, and transaction flow together.

TV Aberta e Convergência da Mídia: O Sinal que Poucos Viram

A convergência da mídia não é uma previsão distante. Ela está acontecendo agora, em camadas, enquanto a TV aberta ainda celebra números de audiência que, por sinal, continuam relevantes. Mas relevância no presente nunca foi garantia de sobrevivência no futuro. A história da mídia já provou isso, de forma brutal, uma vez antes.

O Erro que a Mídia Impressa Cometou, e que Poucos Lembraram

Há vinte anos, a Editora Abril era o centro gravitacional da mídia no Brasil. Dominava atenção, verba e narrativa. As maiores empresas do mundo anunciavam em suas páginas, inclusive as próprias big techs, convidando o mercado para o universo digital. Naquele momento, a lógica parecia simples: se os maiores do mundo anunciam aqui, esse modelo é sólido.

Só que o jogo nunca foi sobre o anúncio. Sempre foi sobre dados.

As plataformas digitais usaram a mídia impressa como alavanca. Capturaram atenção, comportamento e inteligência de mercado. Construíram infraestrutura. Aprenderam com cada clique, cada busca, cada interação. Quando esse ciclo fechou, o investimento migrou. E o mercado da mídia impressa entrou em colapso, não por falta de relevância naquele momento, mas por falta de adaptação à nova lógica.

A TV Aberta Está no Mesmo Ponto de Inflexão

A TV aberta segue forte. Liderança de audiência, cobertura nacional, capacidade de agenda. Tudo isso é real, e eu respeito profundamente o meio. Tenho histórico de décadas trabalhando com televisão e sei o que ela representa culturalmente no Brasil. Portanto, o que digo aqui não é crítica ao meio. É uma leitura do movimento histórico.

O problema não está no presente. Está na ausência de movimento em direção ao futuro.

Sem inteligência de dados, sem integração real com o digital, sem capacidade de conectar atenção com intenção e conversão, o modelo de TV aberta perde força ao longo do tempo. Não de forma abrupta, mas gradual. Da mesma forma que a mídia impressa não morreu da noite para o dia, mas foi perdendo camadas de relevância comercial, uma a uma, até que o investimento migrou definitivamente.

Segundo dados da eMarketer, o investimento global em CTV, ou seja, televisão conectada à internet, já ultrapassou a barreira dos 30 bilhões de dólares anuais e segue crescendo a dois dígitos. Por outro lado, a TV linear tradicional perdeu share de verba publicitária pelo quinto ano consecutivo. Esses números não são uma sentença, mas são um sinal claro de onde o capital está se posicionando.

O Que a Convergência da Mídia Realmente Significa

A convergência da mídia não é sobre um meio substituir o outro. Essa é uma leitura rasa e, frequentemente, equivocada. O futuro não é a morte da TV aberta. É a transformação do que a televisão pode ser.

Na lógica da convergência, a mídia deixa de ser canal e passa a ser infraestrutura. Um ambiente onde atenção, intenção e conversão acontecem no mesmo fluxo, integrados, mensuráveis, interligados com dados de comportamento real do consumidor.

Isso já está acontecendo no universo da CTV, sigla para Connected TV, a televisão conectada à internet. Plataformas de streaming, Smart TVs e serviços de FAST Channels, ou seja, canais lineares gratuitos distribuídos via internet, estão construindo exatamente esse tipo de infraestrutura. Conteúdo, dado e transação operando no mesmo ecossistema.

Portanto, a pergunta que o mercado deveria estar fazendo não é “a TV aberta vai acabar?”. A pergunta correta é: “a TV aberta vai evoluir para esse novo modelo, ou vai observar de fora enquanto outros constroem a infraestrutura que a substitui como meio de conexão entre marcas e consumidores?”

Quem Entender Isso, Evolui

Há emissoras e grupos de mídia no Brasil e no mundo que já entenderam o movimento. Estão investindo em dados próprios, em plataformas de streaming, em audiências endereçáveis, na capacidade de conectar exposição com intenção e compra. Também estão explorando formatos interativos e novas camadas de monetização que vão muito além do spot de 30 segundos.

Por outro lado, há quem ainda veja a CTV e o streaming como ameaças a serem combatidas, em vez de territórios a serem integrados.

A história da Editora Abril não foi uma tragédia inevitável. Foi uma escolha, feita ao longo de anos, de não se adaptar à nova lógica antes que fosse tarde. Essa escolha custou caro.

A TV aberta brasileira tem audiência, tem confiança, tem capilaridade. Tem, ainda, tudo o que precisa para liderar a convergência, em vez de ser engolida por ela. Mas essa janela não fica aberta para sempre.

Conclusão: O Momento de Escolher é Agora

A convergência da mídia não espera. Ela se instala silenciosamente, enquanto os números do presente ainda parecem confortáveis. E quando o movimento se torna visível para todos, geralmente é tarde para liderar.

Quem quiser entender como se posicionar nessa nova infraestrutura de mídia e como conectar atenção, dados e conversão em um único ambiente, a conversa está aberta. Na MADMIX, estruturamos exatamente esse tipo de posicionamento para anunciantes, plataformas e grupos de mídia que querem capturar valor no novo ciclo da TV conectada. Conheça a MADMIX ou explore outros conteúdos sobre CTV e o futuro da mídia no nosso blog.

Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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