For decades, television was built on distribution layers: satellite for reach, cable for penetration, broadcast for cultural presence. Each technology added a new layer, but the logic was the same: deliver content at scale. That era is over. The convergence of satellite, broadcast, and connected TV is no longer a technology trend — it is a structural shift. Connected TV (CTV) is becoming a business infrastructure, not just a media channel. In Brazil, 64% of the digital population already consumes CTV, and 84% of those viewers report taking an action after seeing an ad. With TV 3.0 rolling out in 2026 and moves like Walmart’s 2.3 billion dollar acquisition of Vizio redefining what it means to control a screen, the window to build this infrastructure is open right now. Those who understand this first will build an advantage that cannot be recovered afterward.

Do satélite à convergência TV conectada: a infraestrutura que muda tudo

Durante décadas, a televisão foi construída em camadas. Primeiro o satélite, para alcance massivo. Depois o cabo, para penetração nos lares. Em seguida o broadcast digital, para capilaridade e presença cultural. A convergência da TV conectada era apenas uma promessa distante. Hoje, ela é o centro do próximo ciclo da mídia, e essa convergência deixou de ser tendência tecnológica para virar infraestrutura de negócios.

O que o satélite ensinou sobre escala antes da convergência

O satélite resolveu o problema do alcance. Pela primeira vez, era possível chegar a qualquer ponto do território com o mesmo sinal, ao mesmo tempo. Isso criou mercados de massa, audiências nacionais e um modelo de negócio inteiro baseado em cobertura estimada.

No entanto, o satélite não sabia quem estava do outro lado da tela. Ele transmitia para todos igualmente, sem distinção. Por isso, a métrica que governava tudo era o GRP, ou Gross Rating Point: uma estimativa de quantas pessoas provavelmente viram aquele conteúdo. O jogo era de probabilidade, não de certeza.

O cabo trouxe mais canais e segmentação por interesse. O broadcast digital melhorou a qualidade e a eficiência da transmissão. Portanto, cada evolução foi incremental. A estrutura fundamental, porém, permaneceu a mesma: um emissor, muitos receptores, nenhuma conexão de volta.

A convergência TV conectada que transforma a lógica toda

A internet mudou isso de forma irreversível. Quando a TV ganhou conexão, ela deixou de ser um terminal de recepção e passou a ser um ponto de troca. Pela primeira vez na história da televisão, a tela podia responder. Podia identificar quem estava assistindo, por quanto tempo e com qual comportamento.

Essa mudança parece técnica. Na prática, ela é econômica. A convergência TV conectada transforma audiência em dado, dado em inteligência e inteligência em receita. Segundo a Comscore, a CTV atingiu 64% da população digital brasileira em 2024, ante 50% nos dois anos anteriores. Além disso, 84% dos consumidores de CTV no Brasil relatam ter tomado alguma ação após ver uma publicidade na plataforma. Não é mais cobertura estimada. É resposta real e mensurável.

Portanto, a TV conectada não substitui o satélite nem o broadcast. Ela os absorve. Integra tudo em uma camada única onde alcance e precisão deixam de ser opostos. É possível manter um sinal nacional e, ao mesmo tempo, personalizar a publicidade por região, por perfil de compra e por contexto de consumo.

Quando a TV vira o início do funil de compra

Essa convergência entre distribuição e dados cria algo completamente novo: uma tela que é, ao mesmo tempo, meio de comunicação e ponto de entrada para o varejo. O retail media, ou mídia do varejo, não começa mais no e-commerce. Ele começa dentro da sala de estar.

A intenção nasce no sofá. A decisão é influenciada na tela grande. A conversão pode acontecer ali mesmo ou ser rastreada depois, com atribuição real. Segundo dados da Skai e da IAB, o investimento de retail media em CTV deve crescer cerca de três vezes mais rápido do que retail media em busca ao longo de 2025. Isso mostra que o mercado global já entendeu o que está em jogo.

O exemplo mais claro é a aquisição da Vizio pelo Walmart, concluída em dezembro de 2024 por 2,3 bilhões de dólares. Não foi sobre fabricar televisores. Foi sobre controlar o sistema operacional presente em mais de 18 milhões de lares americanos. Foi sobre ter acesso aos dados ACR, ou reconhecimento automático de conteúdo, que indicam segundo a segundo o que cada tela está exibindo. O resultado foi imediato: a receita global de publicidade do Walmart cresceu 46% no segundo trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior.

Quem controla a tela, controla a experiência. Quem controla a experiência, controla a jornada de compra.

A oportunidade brasileira com a TV 3.0 e a convergência TV conectada

No Brasil, o cenário é ainda mais significativo. A TV sempre teve presença dominante. Dados da Kantar IBOPE Media mostram que a TV aberta ainda responde por 70% do consumo de vídeo no país. Por outro lado, o streaming já alcança 40% dos lares brasileiros, com 86 milhões de espectadores, dos quais 69 milhões são regularmente expostos a anúncios.

Além disso, a TV 3.0, baseada no padrão ATSC 3.0, inicia sua expansão para as capitais brasileiras no primeiro semestre de 2026. Ela traz publicidade segmentada por região e perfil, interatividade pelo controle remoto e T-commerce, com compras diretas pela tela. Isso significa que o Brasil tem agora uma janela única para construir esse modelo convergente desde a base, integrando broadcast, satélite e TV conectada em uma mesma infraestrutura de negócios.

Não se trata de adaptar o passado. Trata-se de construir o futuro com as fundações certas desde o início. Cada camada anterior, o satélite, o broadcast, o digital, tem um papel. Nenhuma desaparece. Todas convergem.

A convergência TV conectada virou infraestrutura

Do satélite que entregava sinal sem saber quem recebia, até a convergência TV conectada que identifica, segmenta, mede e converte: essa é a jornada que o mercado de mídia viveu nos últimos trinta anos. A integração entre broadcast e internet não é mais uma tendência. É uma mudança estrutural, econômica e irreversível.

Ainda existe uma discussão rasa sobre formatos, CPM e inventário. Enquanto isso, o mundo está construindo infraestrutura. Quem entender isso primeiro constrói uma vantagem que não se recupera depois.

Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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