Most of the market still looks at CTV as a media channel. But the real transformation happening right now goes far deeper. When content, data, advertising, connected devices, geolocation, artificial intelligence and purchase intent begin to coexist in real time within the same infrastructure, the television screen stops being media and starts becoming transactional infrastructure. This article explores how retail media, CTV and commerce media are converging into a single operational layer, why the most valuable asset may not be the screen itself, and what companies that understand this shift early stand to gain before the rest of the market catches up.

TV como infraestrutura transacional: por que o verdadeiro ativo não está na tela

Muita gente entrou na floresta procurando madeira. Sem perceber que estava pisando sobre diamantes. Essa metáfora define bem o momento que CTV, retail media e commerce media vivem hoje. A maioria do mercado ainda discute inventário, audiência e CPM. Tudo isso importa, é claro. Mas talvez seja apenas a superfície. Porque a TV como infraestrutura transacional já começou a surgir silenciosamente debaixo dos pés da indústria.

O que o mercado ainda não aprendeu com a internet

Durante anos, a internet foi tratada como uma versão digital do jornal. Ela copiava o formato, a lógica e a linguagem da mídia impressa. Enquanto isso, em silêncio, surgiam plataformas, algoritmos, marketplaces e uma infraestrutura econômica completamente nova.

O resultado todo mundo conhece. Quem entrou cedo nessa lógica capturou posições que até hoje são quase impossíveis de reverter. Por outro lado, quem esperou para entender perdeu a janela e pagou caro por isso.

Talvez estejamos vivendo exatamente o mesmo momento agora. Só que com outras telas, outros dados e uma nova camada de inteligência que ainda não está visível para a maioria.

A pergunta que o mercado ainda não aprendeu a fazer

Grande parte da indústria ainda organiza suas conversas em torno de métricas tradicionais. Fluxo, audiência, CPM, telas no ponto de venda. Perguntas importantes, sem dúvida. Mas perguntas que ainda descrevem a lógica antiga.

No entanto, essas métricas respondem à pergunta de ontem: quantas pessoas assistiram? Elas ainda olham para a tela como destino final. Como se o valor estivesse no momento da exibição.

A pergunta que começa a definir o novo ciclo é outra. Mais precisa. Mais estratégica:

Quem viu, em qual contexto, em qual dispositivo, em qual ambiente e qual comportamento aconteceu depois?

Essa mudança de pergunta muda tudo. Porque quando você começa a operar com essa lógica, a tela deixa de ser mídia. Ela começa a se transformar em infraestrutura transacional. E a lógica de negócio que sustenta esse ecossistema muda junto.

TV como infraestrutura transacional: o que isso significa na prática

Esse conceito não é abstrato. Ele já tem exemplos concretos no mercado global. Em janeiro deste ano, a NRF que é o maior evento de varejo do mundo, trouxe dois movimentos que ilustram com precisão essa transformação.

O primeiro foi a aquisição da Vizio pelo Walmart. Com essa operação, o Walmart criou um corredor direto entre retail media, dados proprietários e a tela da sala de estar do consumidor. Como resultado, a CTV (TV conectada) passou de canal de mídia para infraestrutura de varejo. O grupo passou a controlar o ecossistema do conteúdo até a transação, sem depender de plataformas externas.

O segundo movimento foi o Universal Commerce Protocol do Google, o UCP. Trata-se de uma camada de interoperabilidade que integra mídia, produto, estoque, dados e atribuição dentro de um mesmo protocolo. Para o varejo, é infraestrutura operacional. O consumidor, é fluidez. Já o mercado publicitário, é a resposta estrutural ao cenário pós-cookie. E para todos, é a fusão definitiva entre conteúdo e comércio.

Combinados, esses dois movimentos não são iniciativas de marketing. São apostas estruturais que mostram onde e por quem, o valor real está sendo construído.

Dados, geolocalização e intenção de compra em tempo real

O verdadeiro ativo dessa nova camada não está na tela. Ele está na inteligência operacional que surge quando conteúdo, dados, publicidade, dispositivos conectados, geolocalização, IA e intenção de compra passam a coexistir em tempo real dentro de uma mesma infraestrutura.

Essa convergência aproxima televisão, retail media, commerce media e dados dentro de uma mesma camada operacional. Portanto, esses elementos deixam de ser silos separados e passam a ser partes de um mesmo ecossistema. Quando integrado, esse ecossistema cria um ativo completamente diferente de tudo que o mercado conhecia antes.

Segundo dados da eMarketer, o commerce media deve deixar de operar como frente complementar para se consolidar como parte estrutural da infraestrutura do varejo em 2026. Além disso, o relatório aponta que o crescimento não será limitado por demanda, mas por capacidade organizacional. Em outras palavras, quem souber se posicionar antes vai capturar a margem antes da saturação.

Por que o mercado ainda parece confuso

Talvez seja exatamente por isso que o mercado ainda pareça confuso diante desse cenário. Não é falta de tecnologia. A tecnologia já existe e está disponível agora, neste momento.

O que ainda falta é a mudança de lógica de negócio. Afinal, a lógica que funcionou na TV tradicional não é a mesma que vai funcionar nesse novo ecossistema. São modelos diferentes, com ativos diferentes e com perguntas diferentes na origem.

Na TV tradicional, o valor estava na audiência, na quantidade de pessoas que podiam ser impactadas ao mesmo tempo. Na nova camada, em contrapartida, o valor está na inteligência gerada quando audiência, dados e comportamento pós-exposição passam a operar juntos, em tempo real.

Por isso, muitos ainda entram na floresta procurando madeira. Eles sabem que a floresta tem valor. Mas ainda não perceberam o que está debaixo dos pés e que tipo de ativo essa nova camada está criando.

Quem chega antes captura a margem antes da saturação

Assim como aconteceu com a internet, as posições de liderança nesse ecossistema serão ocupadas cedo. E, depois de ocupadas, serão muito difíceis de reverter. Esse padrão se repetiu em cada grande transformação digital das últimas três décadas.

No Brasil, especificamente, a janela ainda está aberta. O inventário de CTV não está saturado. Os dados proprietários de comportamento de consumidor ainda não foram totalmente ativados pelas marcas. As integrações entre retail media e conteúdo conectado ainda estão em construção. Portanto, a oportunidade existe e é real.

Quem entender agora que a TV é infraestrutura transacional, e não apenas mídia, vai construir vantagem competitiva real antes que o restante do mercado compreenda o que aconteceu. Essa é, historicamente, a lógica das grandes viradas de ecossistema.

O que muda para marcas, varejistas e operadores de conteúdo

Essa transformação não é abstrata para quem opera no mercado. Ela tem implicações práticas e imediatas em três frentes principais.

Em primeiro lugar, marcas que hoje compram mídia de forma isolada precisarão, cada vez mais, integrar dados de comportamento pós-exposição às suas estratégias. Não basta atingir. É preciso entender o que acontece depois do contato.

Em segundo lugar, varejistas que ainda tratam retail media como receita incremental precisarão começar a enxergá-lo como infraestrutura de crescimento. Além disso, a conexão entre o dado transacional do varejo e o inventário de CTV se tornará um dos ativos mais disputados do ecossistema.

Por fim, operadores de conteúdo e distribuidores de Smart TV têm diante de si a oportunidade de se tornar camadas críticas dessa infraestrutura. Não apenas distribuidores de audiência, mas parte ativa da cadeia que conecta conteúdo, dados e comércio.

A transformação já está em curso

Os diamantes inicialmente parecem apenas pedras comuns. É assim em toda grande transformação de mercado. Por isso, os melhores momentos para se posicionar são exatamente aqueles em que a maioria ainda não viu o que está surgindo.

O momento atual no ecossistema de CTV e retail media no Brasil tem essa característica. A convergência entre conteúdo, dados e comércio já está acontecendo. A infraestrutura transacional já está sendo construída, bloco por bloco, por quem decidiu entender a floresta antes de procurar a madeira.

Portanto, a pergunta não é mais se isso vai acontecer. A pergunta é quem vai estar posicionado quando o mercado finalmente enxergar o que sempre esteve debaixo dos pés.

Se você quer entender como esse posicionamento funciona na prática para o seu negócio, fale com a MADMIX. Estamos construindo essa infraestrutura com quem decide entrar antes que a floresta fique lotada.

Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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