Inspired by analyst Michael Beach’s recent breakdown of the US ad market, this article replicates the same lens for Brazil using real, sourced data. Kantar Ibope Media shows linear TV holding 62.8% of household video share against 37.2% for online video, a gap that narrows further on TV screens specifically. Cenp-Meios data shows open TV’s ad spend share falling from 50% in 2022 to 33.57% in 2025, while Internet climbed to 40.6%. Comscore reports 64% of Brazil’s digital population, roughly 84 million people, now uses connected TV, averaging four hours daily with strong ad recall and action rates. Emerging CTV markets including Brazil and Mexico are growing ad spend 23.7% to 27.6% yearly, well above the global average. The takeaway: budgets are catching up to attention, but they still lag behind it.

Publicidade em CTV no Brasil: a virada de 2026 já começou

A publicidade em CTV no Brasil já não é promessa. Ela é tendência confirmada por três fontes distintas de dados: Kantar Ibope Media, Cenp-Meios e Comscore. Recentemente, o analista americano Michael Beach, do newsletter State of the Screens, mostrou como o streaming avançou mais rápido do que o previsto sobre a publicidade em TV nos Estados Unidos. Este artigo faz o mesmo exercício, mas com números reais do Brasil e da América Latina.

Quanto tempo o brasileiro já passa fora da TV linear

A audiência está mudando de lado. Segundo a Kantar Ibope Media, a TV linear, que soma TV aberta e TV paga, fechou dezembro de 2025 com 62,8% do share total de vídeo no domicílio brasileiro. O vídeo online, por sua vez, chegou a 37,2%, puxado pelo YouTube, responsável sozinho por 21,6% da audiência. Ou seja, apenas uma plataforma de vídeo online já supera a soma de Netflix, Globoplay, Prime Video, HBO Max e Disney+ juntos.

Quando o recorte considera apenas o consumo feito dentro da tela da TV, seja ela conectada ou não, a distância diminui ainda mais. Nesse cenário, a TV linear detém 74,4% do tempo assistido, contra 25,6% do vídeo online. Portanto, o avanço já é evidente até no ambiente que mais protegia a TV tradicional: a própria tela grande da sala.

Temos um exemplo recente do CazéTV, tendo mais de 21 milhões de visualizações simultâneas, e colocando a TV aberta de escanteio, este número é recorde mundial na plataforma de vídeo, em termos de conteúdo ao vivo.

A publicidade em CTV no Brasil ainda corre atrás da audiência

Assim como nos Estados Unidos, o investimento publicitário segue o comportamento do público, mas com atraso. De acordo com o painel Cenp-Meios, a participação da TV aberta no bolo publicitário caiu de 50% em 2022 para 33,57% em 2025. No mesmo período, a Internet, que reúne busca, social, vídeo e display, saltou de 27,6% para 40,6% e assumiu a liderança isolada entre os meios.

A TV paga, por outro lado, cresceu dentro do próprio orçamento de televisão. Sua fatia interna passou de 13,7%, em 2024, para 18,8%, em 2025, mesmo com o investimento total em TV ainda somando 41,3% do mercado. Essa dinâmica revela dois movimentos simultâneos. Primeiro, a audiência migra para o vídeo online mais rápido do que a verba publicitária consegue acompanhar. Segundo, dentro do próprio universo de televisão, o sinal conectado já ganha espaço frente ao sinal aberto tradicional.

CTV: o motor por trás da migração no Brasil

A explicação para essa mudança está na tela conectada, e é justamente aí que a publicidade em CTV no Brasil ganha tração real. Segundo a Comscore, 64% da população digital brasileira já consome conteúdo via CTV (TV conectada), o equivalente a cerca de 84 milhões de pessoas. Esse número saltou de 50%, em 2022, para o patamar atual em apenas dois anos. Além disso, o brasileiro passa, em média, quatro horas por dia consumindo CTV, com pico de audiência entre 19h e a meia-noite, exatamente o horário nobre que antes pertencia só à TV aberta.

Igualmente relevante é o comportamento do consumidor depois do anúncio. Ainda de acordo com a Comscore, 58% dos usuários de CTV no Brasil se lembram dos anúncios exibidos, e 84% realizam alguma ação após a exposição, como buscar informações ou efetuar uma compra. Para o anunciante, isso significa atenção qualificada, não apenas alcance bruto. Por fim, a consultoria Omdia projeta o Brasil entre os cinco maiores mercados de receita FAST, sigla para televisão gratuita com suporte de anúncios, do mundo até 2027, com possível terceiro lugar global em 2029.

O que os dados dizem sobre a América Latina

O movimento não é exclusivo do Brasil. Nos mercados emergentes de CTV, que também incluem México, Itália e Espanha, o investimento publicitário cresce entre 23,7% e 27,6% ao ano, ritmo bem acima da média global. Ainda assim, esses quatro países somados representam apenas 1,25% do investimento publicitário global em CTV. Esse contraste mostra que a oportunidade na região segue, em boa parte, não capturada. Para quem atua com publicidade em CTV no Brasil e na América Latina, o cenário é de corrida cedo, não de mercado maduro.

TV 3.0 deve acelerar ainda mais a convergência

A chegada da TV 3.0, prevista para 2026, tende a reforçar essa tendência. O novo padrão une o sinal aberto tradicional a recursos de internet, permitindo publicidade segmentada dentro da própria TV aberta. Na prática, a fronteira entre linear e conectado fica ainda mais tênue, um movimento que também acompanhamos de perto no conteúdo sobre CTV e a nova lógica da televisão brasileira, no blog da MADMIX.

Conclusão: o que muda para quem investe em mídia no Brasil

Os dados são claros e não deixam dúvida. Primeiro, a audiência brasileira já passa mais de um terço do tempo de tela fora da TV linear. Segundo, a verba publicitária caminha na mesma direção, ainda que num ritmo mais lento. Terceiro, a CTV já entrega alcance, frequência e ação de compra em escala relevante. Portanto, tratar a publicidade em CTV no Brasil como teste de orçamento não faz mais sentido estratégico. Quem espera uma confirmação definitiva corre o risco de comprar inventário mais caro e menos disponível, justamente quando o mercado já tiver se ajustado.

Na MADMIX, ajudamos operadoras, fabricantes e anunciantes a estruturar posição e receita nesse ecossistema, unindo dados de mercado como os deste artigo a estratégia aplicada de go-to-market. Se esse tema está no seu radar, vale conversar com a MADMIX. Para aprofundar o tema, veja também nosso conteúdo sobre cloud gaming e a infraestrutura de vídeo conectada no Brasil.

Autor

  • Marcelo Natali é engenheiro eletricista, especialista em CTV e sócio-fundador da MADMIX. Com mais de 16 anos de experiência em empresas como Philips, Samsung, Opera TV, Metrological, a Comcast company, Xperi e Titan OS, atua na interseção entre tecnologia, distribuição e monetização. Na MADMIX, ajuda empresas de mídia, telecom e streaming a transformar audiência, distribuição e atenção em resultados de negócio.

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