Trabalho com distribuição de conteúdo há mais de 16 anos. Já acompanhei muitos ciclos de mercado: a chegada do VOD, a explosão dos apps em Smart TV, a formação dos ecossistemas OTT. Em cada um desses momentos havia um padrão claro: quem acertou a distribuição antes do mercado amadurecer saiu na frente. Quem esperou o conteúdo estar pronto para depois pensar em onde colocar, chegou tarde.

Por isso, o sports streaming está seguindo o mesmo padrão. E o relógio já está rodando.

O dado que muda o jogo dos sports streamings

Em 2026, as plataformas de streaming devem investir aproximadamente US$ 14,2 bilhões em direitos esportivos ao redor do mundo. No entanto, o detalhe mais revelador não é o total. É quem lidera.

O Prime Video, pela primeira vez, ocupa a primeira posição nesse ranking, com cerca de 27% do investimento global. A Amazon, uma empresa de tecnologia e varejo que entrou no streaming como produto secundário, hoje lidera o mercado de direitos do esporte ao vivo. À frente de broadcasters tradicionais. À frente de plataformas de entretenimento puro como Netflix e Disney+.

Essa inversão não é casual. É estratégica. De fato, o esporte ao vivo resolve três problemas estruturais do streaming de uma vez: retenção de assinantes, audiência simultânea em escala e receita publicitária qualificada. Audiência engajada, em atenção plena, em momento de alta intensidade emocional. CPMs mais altos, memória de marca maior e precisão do digital combinada com a escala da TV linear.

Dessa forma, a Amazon está posicionando o Prime Video como infraestrutura de distribuição esportiva, não apenas como plataforma de entretenimento.

Brasil: dois casos que mostram onde o mercado está indo

O Brasil tem dois casos recentes que ilustram como esse movimento se forma no mercado local. Os dois têm uma lição comum sobre distribuição.

Em primeiro lugar, a CazéTV. O que Casimiro construiu durante a Copa do Mundo de 2022 no YouTube não foi apenas um fenômeno de audiência. Foi uma demonstração de que a distribuição em plataforma aberta, sem paywall, com linguagem adaptada ao ambiente digital, consegue mobilizar audiências comparáveis às das transmissões lineares tradicionais.

A lição não está no apresentador. Ou seja, a decisão de colocar o conteúdo esportivo ao vivo numa plataforma onde a audiência já estava, com zero fricção de acesso, foi uma escolha estratégica antes de ser uma escolha criativa.

Por outro lado, o GE TV, do Grupo Globo, ganhou forte repercussão durante o Super Bowl 2026. A transmissão não ficou restrita à TV aberta. Foi distribuída em múltiplas superfícies digitais e sociais, com formato e linguagem adaptados para cada ambiente. Como resultado, a experiência alcançou o consumidor onde ele estava, sem forçar uma migração de plataforma.

Esse modelo multiplataforma exige decisões de distribuição antes de decisões de produção. Em outras palavras, você precisa saber onde vai distribuir para saber como produzir. A maioria das organizações ainda faz o inverso.

A camada que poucos estão discutindo

Há uma dimensão do sports streaming que os holofotes normalmente ignoram: a infraestrutura de distribuição no ecossistema de dispositivos.

Quando falo em distribuição no contexto de CTV, falo de presença nos sistemas operacionais das Smart TVs e nos principais agregadores: Samsung TV Plus, LG Channels, Pluto TV, YouTube TV. Afinal, o esporte ao vivo em streaming precisa estar onde a tela maior está.

No Brasil, 83% do consumo de streaming acontece em Smart TVs. A Samsung sozinha tem 51% do mercado de Smart TVs no país. Portanto, uma estratégia de sports streaming que não contemple distribuição nativa nesses ambientes está alcançando, no máximo, metade do potencial de audiência.

Além disso, a adoção de protocolos como LL-HLS reduziu a latência para abaixo de um segundo em muitos cenários. Assim, o streaming esportivo agora compete em igualdade técnica com a transmissão linear, inclusive em eventos com picos massivos de audiência simultânea. A barreira técnica que durante anos limitou o sports streaming foi removida. O que define a posição agora é distribuição.

O que os sports streaming representa para quem opera no Brasil

As plataformas que chegaram primeiro nos acordos de distribuição com fabricantes de Smart TV no Brasil estão colhendo audiência que os entrantes terão dificuldade de capturar. Por exemplo, os canais que garantiram slots nas grades do Samsung TV Plus e do LG Channels têm visibilidade que não se compra depois. Ela se negocia antes.

Em seguida, o esporte ao vivo vai acelerar esse processo. À medida que os direitos esportivos digitais no Brasil ganham valor e os grandes players globais entram em disputa, a pressão sobre a infraestrutura de distribuição local vai aumentar.

Marque já seu posicionamento nos sports streaming

Já vi muitos mercados de streaming se formarem. O padrão é sempre o mesmo: há uma janela em que a distribuição pode ser construída com menos competição e menor custo. Depois que o mercado amadurece, as barreiras sobem, os acordos ficam mais caros e os slots mais disputados.

No sports streaming brasileiro, essa janela ainda está aberta. Os direitos esportivos digitais estão ganhando valor. Os grandes players globais estão entrando em disputa. E a infraestrutura de distribuição em CTV no Brasil ainda tem espaço para quem se posicionar agora.

Mas esse espaço não é infinito. E ele não espera.

A MADMIX nasceu exatamente para ajudar empresas de mídia, tecnologia e varejo a navegar esse ecossistema com clareza estratégica. Não vendemos tecnologia. Não vendemos inventário. Ajudamos você a entender onde sua empresa precisa estar, com quem precisa falar e quais decisões de distribuição precisam ser tomadas antes que o mercado tome essas decisões por você.

Se o sports streaming já está na sua agenda, ou deveria estar, esse é o momento de conversar.

Autor

  • Marcelo Natali é engenheiro e sócio-fundador da MADMIX, advisory especializada em monetização e estratégia para CTV, Streaming e Telecom na América Latina.Com mais de 16 anos de experiência no setor, construiu uma trajetória reconhecida na região, com passagens por empresas como Philips, Samsung, Opera TV, Metrological (Comcast) e Vewd (Xperi). Ao longo dessa jornada, atuou nas áreas de produto, vendas, marketing e pré-vendas, sempre na interseção entre tecnologia, conteúdo e receita. Hoje, pela MADMIX, ajuda operadoras, fabricantes e plataformas a transformar audiência em resultado.

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