Who mobilizes audiences is the content, not the screen. This article argues that where content is produced, what attracts people and where they watch are three different things. The origin of content does not determine its destination, and every medium can be a starting point, a destination or a complement. A real transmedia experience goes beyond showing the same program on several screens, because each environment must add something to the story. Brazil’s new open TV standard, DTV+, opens new paths for interaction and data, but strategy defines its value. Finally, the piece calls for shared metrics that account for audience overlap, viewing time and participation, so broadcasters and advertisers can understand how each medium contributes.

Experiência transmídia: quem mobiliza é o conteúdo

Quem mobiliza é o conteúdo. O futuro está na convergência dos meios. A experiência transmídia amplia essa conexão, porque cada plataforma oferece uma nova forma de acompanhar, interagir e participar.

Quando uma emissora produz um grande evento, surge uma leitura recorrente. A televisão convocou o público, e a internet ampliou o alcance. No entanto, essa conta simplifica demais o que acontece na sala de casa.

A origem do conteúdo não determina seu destino

Minha leitura parte de uma distinção. Quem produz o conteúdo, o que mobiliza as pessoas e por onde elas assistem são coisas diferentes.

Uma emissora que organiza um debate demonstra capacidade de produção, força editorial e relevância de marca. No entanto, o evento nascer em uma empresa de televisão não prova que o sinal aberto atraiu toda aquela audiência.

O interesse pode estar nos participantes, no assunto, na credibilidade de quem organiza ou na importância do momento. A distribuição permite o encontro. Depois, o público escolhe o caminho conforme acesso, conveniência e hábito.

Pense na distribuição como uma rede de estradas. Ela não escolhe o destino do viajante. Quem escolhe é o viajante, atraído pelo que existe no fim do caminho. A origem do conteúdo não determina seu destino.

Essa relação funciona nos dois sentidos. Um evento criado para a internet pode ganhar alcance na TV aberta. Da mesma forma, uma produção de emissora pode encontrar novos públicos em aplicativos, em canais FAST (canais de streaming gratuitos, sustentados por anúncios) e em plataformas digitais. Cada meio pode ser origem, destino ou complemento.

Por isso, colocar a TV aberta no centro de tudo é uma leitura limitada. Dar todo o protagonismo à internet também seria. O conteúdo pode nascer em qualquer ambiente, e sua força de mobilização depende da relevância que encontra na vida das pessoas.

Experiência transmídia: distribuir em várias telas é só o começo

Exibir o mesmo conteúdo na TV, no celular e na web amplia o acesso. A experiência transmídia começa quando cada ambiente acrescenta algo próprio à narrativa e à participação do público.

Imagine uma transmissão com informações complementares no aplicativo. Enquanto isso, perguntas do público alimentam a programação, e as redes oferecem conteúdos exclusivos. Na TV conectada, experiências interativas completam o quadro. Em um projeto comercial, a integração também pode levar à descoberta de produtos e a oportunidades de compra ligadas ao conteúdo.

Assim, cada ponto de contato ganha uma função. A audiência pode assistir, aprofundar, participar e agir, conforme seu interesse.

Isso exige estratégia editorial, criatividade e tecnologia trabalhando juntas. Estar presente em várias plataformas, por si só, não garante essa integração. Afinal, uma orquestra não nasce de muitos instrumentos no palco. Ela nasce de uma partitura.

O lugar da DTV+ nessa transformação

Vejo a DTV+ como parte desse movimento. Também chamada de TV 3.0, ela é a nova geração da TV aberta digital brasileira e combina transmissão por antena com internet. Nesse cenário, a experiência transmídia ganha mais um ponto de contato.

O avanço já saiu do papel. O governo regulamentou o padrão por decreto em agosto de 2025, e a estreia aconteceu em junho de 2026, em caráter experimental. Durante a Copa do Mundo, a Globo mostrou enquetes, estatísticas de jogo e informações sobre as próximas partidas pelo controle remoto.

Mesmo assim, a escala ainda depende do aparelho. Em julho de 2026, nenhuma TV à venda no país trazia o receptor DTV+ de fábrica. Os primeiros modelos nativos devem chegar entre o fim de 2026 e o início de 2027. Além disso, ser smart TV não garante compatibilidade, porque a recepção exige um sintonizador próprio.

Portanto, um mecanismo de distribuição, mesmo com novas funções, não explica sozinho a transformação do consumo de mídia. O valor está em como o mercado vai usar essas possibilidades. Que experiência será oferecida? Como o conteúdo ganhará novas dimensões? De que maneira o público participará?

A tecnologia cria condições. A estratégia transforma essas condições em algo relevante.

Medir o conjunto também faz parte da convergência

A discussão sobre métricas comuns é necessária. Pontos de audiência, usuários simultâneos, visualizações e interações representam dimensões diferentes. Somá-los sem critério não revela o alcance real de uma experiência.

O mercado brasileiro já se move nessa direção. Em 2025, a Kantar Ibope Media criou uma ferramenta que unifica a audiência de TV aberta, TV paga e streaming nos jogos do Brasileirão e da Copa do Brasil. A empresa também destaca o co-viewing, ou seja, a audiência compartilhada dentro dos lares.

Os recortes parciais mostram por que isso importa. Em dezembro de 2022, a TV aberta somou 75,7% do público analisado pela Kantar Ibope Media, e o YouTube, 7,6%. No entanto, esse levantamento cobria apenas televisores em 15 regiões metropolitanas e deixava celulares e tablets de fora.

Por isso, precisamos entender a sobreposição de públicos, o tempo de consumo, a participação e os resultados de cada ambiente. Quem acompanha o mesmo evento em duas plataformas não vira duas pessoas alcançadas. Essa visão integrada também ajuda anunciantes e produtores a entender o papel de cada meio e o valor da combinação entre eles.

Conclusão

A pergunta estratégica é como fazer um conteúdo relevante chegar às pessoas, oferecer experiências que se complementem e gerar resultados mensuráveis.

Quem mobiliza é o conteúdo. A convergência conecta os meios. E a experiência transmídia dá a cada um deles um papel na relação com o público.

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Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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