Every platform now wants its own “Ads” business, but selling ad space is not the same as running a media operation. Fragmentation, weak standardization and rising costs already make buyers more cautious about commerce media, according to the IAB. In Brazil, digital advertising reached R$ 42.7 billion in 2025, yet more sellers do not create more budget. Consumers also push back: Accenture found that 75% feel bombarded by ads. A sustainable media operation needs a clear purpose, integration with advertiser planning, frequency control and proof of incremental results. Sometimes a partnership beats building another isolated network. The hard part is giving advertisers a reason to invest and consumers a reason to stay.

Operação de mídia: daqui a pouco, até a barraquinha terá seu Hot Dog Ads

Todo mundo quer transformar sua plataforma em uma operação de mídia. Você abre um aplicativo para contratar um serviço e encontra um anúncio. Procura um produto e atravessa uma prateleira de resultados patrocinados. Entra numa plataforma para assistir a um conteúdo e recebe mais publicidade.

Parece que todo negócio passou a carregar uma ambição paralela: ter o seu próprio “Ads”. Daqui a pouco, a barraquinha de cachorro-quente vai anunciar o Hot Dog Ads. Terá publicidade segmentada por preferência de molho, ativação na hora da fome e conversão atribuída à última apertada no tubo de mostarda.

A brincadeira tem um fundo sério. Confundimos a possibilidade de vender espaço com a capacidade de construir um negócio de mídia. E essa confusão custa caro.

Operação de mídia não nasce de um nome com “Ads”

Ter plataforma, base de clientes ou dados de consumo abre oportunidades. No entanto, isso não garante audiência relevante para uma campanha, qualidade de entrega, capacidade comercial nem resultado para o anunciante.

Uma operação de mídia exige profissionais, planejamento, tecnologia e critérios de mensuração. Exige também responsabilidade pela experiência de quem está do outro lado da tela. Sem isso, o improviso ganha embalagem de inovação. Surge mais um painel, mais uma tabela comercial e mais um relatório que não conversa com os demais.

O problema não é o tamanho de quem entra. Uma empresa pequena pode fazer um excelente trabalho. O problema é vender expectativas que a estrutura não sustenta.

Todo mundo vende a própria ilha

O discurso é de conexão, mas a prática produz fragmentação. Cada plataforma tenta provar que sua audiência é indispensável. Só que uma mesma pessoa circula por dezenas delas. Somar as audiências dos materiais comerciais não significa alcançar pessoas diferentes.

Sem integração, o anunciante compra várias vezes o contato com o mesmo consumidor. Também perde o controle da frequência e recebe relatórios incompatíveis entre si.

Os dados confirmam o desconforto. Segundo o IAB, fragmentação, falta de padronização e custos crescentes deixam os investimentos em commerce media mais cautelosos. A projeção de crescimento do canal caiu de 25,1% em 2024 para 15,6% em 2025. Na Europa, o cenário é parecido. Uma pesquisa do IAB Europe, com mais de 180 respondentes, aponta a falta de padronização (53%) e a fragmentação das redes (51%) como as maiores barreiras do retail media.

O orçamento não cresce porque nasceu outra plataforma

Existe uma fantasia nessa corrida: instalar tecnologia publicitária, colocar “Ads” na apresentação e atrair grandes anunciantes. Mas anunciante compra contribuição para o negócio. E a existência de inventário não prova demanda por ele.

No Brasil, o dinheiro existe e cresce. O Digital Adspend 2026, do IAB Brasil com o Ibope, registrou R$ 42,7 bilhões em publicidade digital em 2025, alta de 12,7%. O retail media somou R$ 4,8 bilhões, com avanço de 37%. Mesmo assim, ele responde por cerca de 9% do total investido. Ou seja, o bolo cresce, mas continua finito.

Quando espaços pouco diferenciados disputam as mesmas verbas, a competição migra para o desconto. Não é rigoroso dizer que todos os preços da publicidade digital caem. Há diferenças entre formatos, mercados e qualidade de audiência. Porém, ampliar a oferta sem demonstrar valor empurra a mídia para a condição de mercadoria indiferenciada.

Nesse cenário, a plataforma cobra menos e precisa exibir mais anúncios para sustentar a receita. Com isso, desgasta justamente a experiência que atraiu o público.

O consumidor não pediu para virar inventário

Quem abre um aplicativo quer resolver algo. Quem entra num streaming quer assistir. Quem procura um produto quer uma boa opção. A publicidade precisa respeitar essa intenção.

Na pesquisa The Empowered Consumer, da Accenture, 75% dos entrevistados disseram sentir-se bombardeados por anúncios. Além disso, 74% abandonaram compras no fim de 2023 por se sentirem sobrecarregados. Esse abandono envolve a complexidade da decisão, não só a publicidade. Mesmo assim, revela o limite de uma experiência carregada de estímulos. Em levantamento de 2025, com 3 mil consumidores em dez países, a parcela que se sente bombardeada por anúncios subiu para 82%.

Mais exposição não significa mais interesse. Personalização também não dá licença para interromper sem limite. Até um anúncio relevante, repetido além da conta, vira motivo de rejeição.

Como montar uma operação de mídia que se sustenta

Há negócios sólidos nessa expansão. Retail media, CTV e commerce media oferecem possibilidades reais quando aproximam conteúdo, contexto e intenção de compra. Mas a estrutura precisa vir antes da promessa de faturamento. Cinco perguntas ajudam a testar a ideia:

  • Que problema essa operação resolve?
  • Que audiência ela acrescenta?
  • Como controla a repetição dos anúncios?
  • Como se integra ao planejamento do anunciante?
  • Que resultado consegue demonstrar?

E, principalmente: a venda aconteceu por influência da publicidade ou aconteceria de qualquer maneira? Essa distinção explica as diretrizes de mensuração incremental que o IAB e o IAB Europe publicaram em novembro de 2025. A ideia é avaliar o resultado adicional gerado pela mídia, em vez de atribuir a ela toda compra observada.

Profissionalizar esse mercado exige conectar os pontos e criar critérios comparáveis. Exige também reconhecer quando uma parceria faz mais sentido do que construir outra operação isolada. Para muitas empresas, o caminho passa por parceiros de tecnologia e redes já integradas, como mostramos ao falar dos canais FAST no Brasil.

Conclusão: o difícil não é colocar “Ads” no nome

O Hot Dog Ads pode até funcionar. Basta entregar valor a quem anuncia, preservar a experiência de quem compra e ter uma lógica econômica sustentável.

É nesse ponto que a MADMIX atua. Ajudamos empresas a avaliar se, como e com quem montar uma operação de mídia, com planejamento, tecnologia e mensuração conectados. Fale com a MADMIX pelo WhatsApp antes de abrir o seu “Ads”.

Colocar “Ads” depois do nome é fácil. Que razão sua empresa dá ao anunciante para investir e ao consumidor para ficar?

Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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