The 2026 FIFA World Cup split broadcast rights across Globo, SBT and CazéTV for the first time, and the audience numbers prove it. Globo reached 142.7 million people across TV Globo, sportv and ge TV. CazéTV peaked at 20.9 million connected devices, becoming YouTube’s third biggest live stream ever. SBT scored its best decade-long rating in the World Cup slot. Three different methodologies, three different victories. What the fragmentation really shows is that audience alone no longer explains value. The real competition has moved to the infrastructure layer that connects data, advertising and AI across every screen, a shift MADMIX already mapped in its piece on AI as the engine of connected media.

Fragmentação de Audiência: o Que a Copa de 2026 Revelou Sobre TV Conectada

A fragmentação de audiência marcou a Copa do Mundo de 2026 como nenhuma edição anterior. Pela primeira vez, os direitos de transmissão no Brasil se dividiram entre três operações. Além disso, Globo, SBT e CazéTV seguiram lógicas completamente diferentes entre si. Por isso, o resultado não foi um vencedor único. Na verdade, foram três vitórias, medidas por três metodologias distintas. Essa fragmentação de audiência, portanto, acabou revelando algo maior sobre o próprio mercado de TV.

Três Emissoras, Três Formas de Medir Sucesso

Segundo dados do Ibope, a Globo somou 142,7 milhões de pessoas impactadas ao longo do torneio. O número considera TV Globo, Sportv e GE TV. Além disso, foram mais de 1,8 bilhão de horas assistidas, mesmo exibindo apenas metade dos 104 jogos. Por fim, o recorde individual veio em Escócia x Brasil, com 53,6 milhões de espectadores.

Enquanto isso, o SBT voltou a uma Copa após quase três décadas. Assim, o torneio também marcou a despedida de Galvão Bueno na narração. Na final, a emissora marcou 7 pontos na Grande São Paulo e 5,5 pontos no Painel Nacional de Televisão. Já em Brasil x Japão, o canal bateu 12,77 pontos de média. Esse foi, aliás, o melhor resultado do SBT na década nesse horário de jogo.

Por sua vez, a CazéTV foi a única com direitos sobre as 104 partidas. Na final, atingiu pico de 20,9 milhões de dispositivos conectados. Esse número ficou atrás apenas da semifinal entre França e Espanha, com 24,2 milhões. Ainda assim, a transmissão se tornou a terceira maior live da história do YouTube.

Por Que Comparar os Três é Como Comparar Maçãs e Laranjas

Primeiramente, a TV aberta é medida por Ibope e Kantar, com metodologia de painel e share de televisores ligados. Já a CazéTV, por outro lado, é medida pelo YouTube Analytics. Essa ferramenta capta dispositivos conectados e segue uma lógica bem diferente de amostragem. Portanto, dizer que uma emissora “venceu” a Copa depende inteiramente de qual métrica se escolhe usar.

Contudo, esse problema não é só técnico. Na verdade, ele revela uma fragilidade estrutural do mercado brasileiro. Enquanto isso, Globo e SBT somaram 122,7 milhões de telespectadores nas duas primeiras rodadas, segundo o Kantar Ibope. Ainda assim, a audiência total do torneio caiu 32% na comparação com 2022. A explicação é simples: o público se espalhou por mais telas. Em outras palavras, nenhuma métrica isolada consegue somar esse consumo de forma unificada.

A Fragmentação Também Acontece Dentro do Mesmo Aparelho

Até aqui, a fragmentação parece uma disputa entre emissoras. No entanto, um levantamento da Samsung Ads mostra que ela também acontece dentro da mesma tela. Os dados foram divulgados pelo Meio & Mensagem. Entre 11 de junho e 19 de julho, 18,1 milhões de Smart TVs ativas no Brasil acompanharam transmissões do torneio. Desse total, 47% assistiram só via streaming e 44% alternaram entre streaming e TV linear. Apenas 9% ficaram exclusivamente no modelo tradicional.

O dado mais relevante, porém, é outro. Durante o período do evento, o tempo assistido em TV linear cresceu 31,6%. Ao mesmo tempo, o streaming avançou 10,4%. Ou seja, não houve canibalização entre os formatos. Pelo contrário, o consumo total simplesmente aumentou. No total, foram 691 milhões de horas assistidas na janela da Copa, sendo 77% via streaming e 23% em TV linear. Esse comportamento reforça o ponto central deste artigo. A fragmentação de audiência não destrói valor, ela apenas exige uma infraestrutura capaz de somar o consumo espalhado por múltiplas telas.

A Audiência Fragmentada Empurra o Valor Para a Infraestrutura

Durante décadas, audiência foi sinônimo de valor. Afinal, quanto maior o alcance, maior o poder de negociação com anunciantes. Porém, a fragmentação de audiência vista na Copa de 2026 mostrou os limites claros desse modelo. Por exemplo, o mesmo torcedor assistiu ao jogo na TV aberta e, ao mesmo tempo, acompanhou lances no celular. Além disso, em muitos casos, ele também comentou nas redes e transitou entre Globo, SBT e CazéTV ao longo do mesmo dia.

Nesse cenário, portanto, a pergunta relevante deixa de ser apenas quem distribui melhor o conteúdo. Em vez disso, ela passa a ser quem consegue conectar distribuição, dados, publicidade e relacionamento em uma única arquitetura tecnológica. É exatamente esse o argumento que já defendemos no artigo sobre infraestrutura de mídia conectada como vantagem competitiva.

O Papel da Inteligência Artificial Depois do Apito Final

Nesse contexto, a inteligência artificial acelera essa transição. Assim, ela tende a assumir o papel de interface, recomendando conteúdo, personalizando experiências e automatizando decisões de compra de mídia. Ainda assim, a IA continua dependendo de infraestrutura. Afinal, é essa infraestrutura que distribui vídeo, processa dados em tempo real e entrega publicidade dinâmica em qualquer tela. A propósito, detalhamos essa relação de complementaridade, e não de disputa, no artigo sobre inteligência artificial como motor da mídia conectada.

Em resumo, a inteligência pode ser o novo cérebro da mídia. Mesmo assim, a infraestrutura continua sendo o sistema nervoso que faz tudo funcionar junto.

Aliás, a mesma pesquisa da Samsung Ads mostra essa camada de integração operando na prática, e não apenas na teoria. Durante a Copa, 48% das Smart TVs já estavam ativas uma hora antes do apito inicial. Além disso, 69% seguiram ligadas por pelo menos uma hora após o fim da partida. A navegação pela tela inicial do televisor também cresceu 20%, chegando a 24% nos dias de jogo da Seleção Brasileira. Ou seja, a home da Smart TV já se comporta como o hub de decisão que este artigo descreve. É por ali que passa a atenção antes e depois de qualquer conteúdo.

Vale notar, aliás, que essa fragmentação de audiência não é um problema exclusivo do futebol. Pelo contrário, ela é um retrato do que já acontece em qualquer grande evento transmitido no Brasil hoje. Isso vale para a novela, o reality show, o noticiário e o show ao vivo. A diferença, no entanto, é que a Copa colocou luz sobre o assunto em escala inédita. Ao mesmo tempo, três players brigaram por atenção dentro de uma janela de apenas um mês.

O Que Fica Para o Mercado Depois da Copa

Atualmente, a Globo já sinaliza que vai usar os números de audiência como argumento na negociação dos direitos de 2030. Sem dúvida, isso faz sentido do ponto de vista comercial. Contudo, o dado mais importante desta edição não está na disputa por pontos de Ibope ou dispositivos conectados no YouTube.

Na verdade, o dado mais importante está no fato de que três empresas, com três modelos de negócio distintos, conseguiram vencer ao mesmo tempo. Isso só é possível, portanto, porque a audiência deixou de ser um destino único e virou um fluxo que atravessa múltiplas telas. Sendo assim, quem constrói essa infraestrutura sai na frente da próxima disputa. Afinal, é ela que acompanha o fluxo inteiro, do primeiro clique ao momento da compra.

A audiência não desapareceu. Ela apenas deixou de morar em um único endereço. Vencerão as empresas capazes de transformar essa fragmentação em uma rede integrada de distribuição, dados e monetização. A televisão do futuro não será definida apenas por quem produz o melhor conteúdo, mas por quem construir a infraestrutura capaz de conectar conteúdo, audiência, dados, publicidade e comércio em um único ecossistema.

Na MADMIX, ajudamos operadoras, broadcasters e marcas a transformar audiência fragmentada em inteligência de dados e receita concreta. Portanto, se sua empresa quer entender como se posicionar nesse novo cenário, vale conversar com a gente.


Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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