The European Commission cleared Paramount Skydance’s acquisition of Warner Bros. Discovery in July 2026, a deal valued near 111 billion dollars and still facing a legal challenge from US state attorneys general. The approval confirms that streaming, linear TV and digital platforms now compete inside a single ecosystem. Walmart’s earlier acquisition of Vizio, and Google’s Universal Commerce Protocol unveiled at NRF 2026, point to the same conclusion. Content still matters, but infrastructure, the layer that distributes, measures, personalizes and monetizes, decides who actually wins. For CTV, retail media and commerce media leaders in Brazil, the question is no longer who makes the best content. It is who builds the infrastructure able to connect every screen.

Infraestrutura de Mídia Conectada: a Verdadeira Disputa da Convergência

A infraestrutura de mídia conectada, não o conteúdo, decidiu a fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery. Em 22 de julho de 2026, a Comissão Europeia aprovou a operação. O negócio vale cerca de US$ 111 bilhões e traz restrições, incluindo o fim do acordo de distribuição internacional com a Universal Pictures. Portanto, o mercado ganhou um novo capítulo sobre quem realmente comanda a convergência.

Por Que a Aprovação Europeia Muda o Debate

Durante décadas, a disputa da indústria girou em torno de quem produzia o melhor conteúdo. Hoje, essa pergunta perdeu força. Na prática, o consumidor não distingue mais TV aberta, TV paga, streaming ou redes sociais. Para ele, tudo é conteúdo acessado por uma tela conectada.

A decisão de Bruxelas confirma essa mudança de forma oficial. A Comissão Europeia tratou streaming, TV linear e plataformas digitais como parte de um mesmo mercado competitivo. Assim, reconheceu algo que executivos de mídia já sentiam na prática. Além disso, a operação segue sob contestação nos Estados Unidos. Doze procuradores-gerais estaduais obtiveram uma ordem judicial temporária contra o fechamento do negócio, com audiência marcada para 3 de agosto de 2026. Mesmo assim, a Paramount projeta concluir a aquisição até o terceiro trimestre do ano.

A Disputa Real Está na Infraestrutura

Enquanto parte do mercado ainda discute qual estúdio produz a melhor série, a competição de verdade acontece em outra camada. Por isso, quem controla a infraestrutura capaz de distribuir, medir, personalizar e transformar conteúdo em receita sai na frente.

Esse padrão não aparece só em fusões bilionárias de Hollywood. Em dezembro de 2024, o Walmart concluiu a aquisição da Vizio por US$ 2,3 bilhões. Como resultado, a fabricante de Smart TVs virou ativo estratégico do Walmart Connect, unidade de retail media do Walmart. Na prática, a maior varejista dos Estados Unidos deixou de depender de telas de terceiros. Ela passou a controlar sua própria infraestrutura de mídia conectada, do sistema operacional da TV até a venda do anúncio.

Retail Media e Commerce Media Seguem o Mesmo Caminho

Em seguida, a NRF 2026 reforçou essa lógica. O Google apresentou o Universal Commerce Protocol. Trata-se de um padrão técnico criado para integrar mídia, produto, estoque e atribuição em uma camada única de interoperabilidade. Ou seja, a integração deixou de ser promessa e virou infraestrutura real, disponível para operar campanhas entre canais diferentes.

Da mesma forma, no Brasil o movimento segue direção parecida. O retail media deixou de ser um canal isolado de trade marketing. Segundo análises do setor, ele virou infraestrutura estratégica, conectando dados proprietários, mídia onsite, offsite e ponto de venda físico. Grandes redes de varejo já entenderam que possuem algo raro: intenção de compra em tempo real combinada a dados de primeira mão.

Assim, o padrão se repete em cada movimento recente do setor. Quem aposta apenas em conteúdo, sem controlar a entrega ao consumidor, fica refém de terceiros. Por outro lado, quem investe em infraestrutura de mídia conectada define as regras do jogo. Isso vale desde o formato do anúncio até o dado que alimenta a próxima campanha.

O Que Isso Significa Para a TV Conectada no Brasil

Nesse cenário, a TV conectada ocupa um lugar único. Ela não compete com streaming, broadcasters ou redes sociais. Em vez disso, conecta todos eles em uma única camada de distribuição e monetização.

Especificamente, o Brasil já soma 86 milhões de usuários de streaming. Além disso, o país caminha para se tornar o terceiro maior mercado de canais FAST do mundo até 2029. Portanto, a base de audiência já existe. O que falta, para boa parte das empresas de mídia, telecom e varejo do país, é a infraestrutura. Ela é o que transforma audiência em relacionamento contínuo com o consumidor, tema que já exploramos em detalhe no artigo sobre retail media e TV conectada.

É justamente nessa camada invisível ao espectador que publicidade dinâmica, dados, inteligência artificial, FAST Channels, TV 3.0 e experiências interativas deixam de ser projetos isolados. Elas passam a operar como parte de um único sistema. Por isso, empresas de tecnologia, fabricantes de televisores e operadores de dados ganharam um papel tão relevante quanto os próprios estúdios de conteúdo. O tema aparece com mais detalhes no artigo sobre tecnologia proprietária na TV conectada.

Esse é o recado real por trás da fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery. Afinal, a operação não cria apenas mais um estúdio gigante. Ela cria um ecossistema com infraestrutura própria de distribuição, dados e monetização. Essa infraestrutura opera em qualquer tela, do cinema ao streaming, da TV linear à TV conectada.

Conclusão: Quem Constrói a Infraestrutura, Lidera o Mercado

No passado, portanto, a pergunta era quem produziria o melhor conteúdo. Hoje, no entanto, a pergunta mudou. Quem constrói a infraestrutura de mídia conectada sai na frente da disputa. Ela é o que integra produção, distribuição, publicidade, dados e comércio em uma experiência contínua.

Na MADMIX, ajudamos empresas de mídia, varejo e tecnologia a encontrar sua posição nesse ecossistema e a transformar atenção em receita real. Se sua empresa quer entender onde se posicionar antes que a convergência se consolide de vez, vale conversar com a gente.


Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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