Brazilian TV audiences have already gone digital, moving fluidly between open TV, streaming, FAST channels, creators and social media. The industry, however, is still catching up. Many media companies believe they have completed their digital transformation simply because they run an app, a streaming platform or an AI pilot project. That is being digital, not becoming digital. True digital transformation means rebuilding the business around data, automation and the integration of content, advertising, commerce and relationship. Brazilian ad investment data confirms the urgency: open TV share fell from 50 percent to 37.1 percent between 2022 and 2025, while digital climbed from 27.6 percent to 36.5 percent. CTV, Retail Media, Commerce Media, Creator Economy and AI are no longer separate markets. They are layers of the same infrastructure, and the companies that connect them first will build lasting competitive advantage.

Transformação Digital na TV: Estar Digital ou Ser Digital?

A televisão já foi digitalizada pelo público. Agora falta digitalizar o negócio. Essa frase resume o maior desafio da transformação digital na TV hoje. Afinal, ela não é sobre tecnologia. É, sobretudo, sobre modelo de negócio.

Muitas empresas de mídia acreditam que já concluíram essa jornada. Afinal, têm aplicativo, plataforma de streaming, dados de audiência e até projetos de inteligência artificial. Porém, isso significa apenas estar digital. Ser digital, por outro lado, é uma história completamente diferente.

Estar Digital Não é o Mesmo que Ser Digital

Estar digital é fácil de simular. Basta somar ferramentas novas a um modelo de negócio antigo. É como colocar um motor elétrico em uma carroça e chamar isso de carro do futuro.

Ser digital exige coragem. Significa reconstruir a empresa a partir da lógica dos dados, da automação e da integração entre conteúdo, publicidade, comércio e relacionamento. Portanto, não é uma troca de plataforma. É uma mudança de mentalidade.

Essa diferença explica por que tantas empresas investem pesado em tecnologia e, ainda assim, sentem que o crescimento não acompanha o investimento. Na verdade, o problema nunca foi a ferramenta. Sempre foi a estrutura por trás dela. Sem essa estrutura, a transformação digital na TV vira apenas maquiagem.

A Audiência Já Escolheu. A Indústria Ainda Discute

Por anos, o setor apostou em disputas: TV aberta contra TV por assinatura, linear contra streaming, broadcaster contra plataforma digital. Enquanto isso, o espectador seguiu em frente sem pedir licença.

Hoje, ele transita naturalmente entre TV aberta, streaming, FAST channels (canais gratuitos com publicidade, financiados por anúncios), creators e redes sociais. Para quem está no sofá, essa fronteira já não existe mais. Quem ainda separa esses mercados, portanto, é a própria indústria, não o consumidor.

A Copa do Mundo de 2026 provou esse ponto com clareza. Milhões de brasileiros acompanharam os mesmos jogos transitando entre CazéTV, Globo, SBT e redes sociais ao mesmo tempo. A distribuição se fragmentou. A atenção, quando o conteúdo importa, continua se concentrando.

Os Números Que Comprovam a Urgência

O mercado publicitário brasileiro já sente essa virada nos números. Entre 2022 e 2025, a fatia da TV aberta no investimento publicitário caiu de 50% para 37,1%, enquanto o digital saltou de 27,6% para 36,5%, segundo dados do Cenp citados pelo Metrópoles.

Além disso, as projeções para 2026 reforçam essa velocidade. O investimento em CTV deve crescer 9,5% no ano, puxado pelo avanço do streaming com publicidade, enquanto o Retail Media deve expandir 14,1% e se consolidar como a terceira via do digital, ao lado de busca e redes sociais, segundo levantamento da US Media.

Ou seja, o dinheiro já está migrando de fato. Consequentemente, a pergunta que resta é simples: sua empresa está preparada para capturar essa receita, ou vai apenas assistir de fora?

De Camadas Isoladas para Uma Infraestrutura Única

CTV, Retail Media, Commerce Media, Creator Economy e Inteligência Artificial costumavam ser tratados como mercados separados. Essa visão precisa mudar agora.

Na prática, são camadas de uma mesma infraestrutura digital. Pela primeira vez, conteúdo, publicidade, dados, interatividade e comércio coexistem dentro do mesmo ambiente. Isso muda completamente a lógica da monetização, como já mostramos ao explorar a convergência de telas no Brasil.

Empresas que insistirem em tratar essas camadas de forma isolada tendem a acumular soluções desconectadas entre si. Por outro lado, quem enxergar a convergência primeiro constrói vantagem competitiva real, como já detalhamos ao falar sobre Retail Media e TV Conectada.

Da mesma forma, dados sozinhos não geram valor algum. O diferencial está na capacidade de transformar informação em decisão, relacionamento e conversão. É exatamente aí que televisão e varejo deixam de ser mercados distintos e passam a integrar a mesma jornada da transformação digital na TV.

Como Sair do “Estar” e Chegar no “Ser”

Primeiro, pare de tratar CTV, Retail Media e Creator Economy como projetos isolados dentro da empresa. Em seguida, una as equipes responsáveis por conteúdo, dados e monetização em torno de um objetivo comum.

Depois, invista em uma infraestrutura de dados que sirva à companhia inteira, não apenas a um departamento. Por fim, meça resultado de negócio, em vez de medir apenas audiência. Esse é o caminho real da transformação digital na TV.

Vale lembrar: a tecnologia continuará evoluindo em velocidade exponencial. Portanto, a pergunta que resta não é mais sobre ferramentas. É sobre disposição para mudar junto com o mercado.

O Futuro Pertence a Quem Conecta, Não a Quem Acumula

O futuro não pertence a quem tem mais audiência ou mais conteúdo. Pertence a quem conecta atenção, intenção e conversão dentro de uma infraestrutura única.

Essa é a visão que vamos debater no NXT Media Days Brasil, no dia 3 de dezembro, em São Paulo, em dois painéis estratégicos: um sobre grandes eventos ao vivo e outro sobre a convergência entre TV Conectada e Retail Media.

No final, a pergunta mais importante para qualquer empresa de mídia é simples. Sua empresa apenas está digital, ou já se tornou digital de verdade?

Se esse dilema faz parte da sua rotina, portanto, vale conversar com quem já ajudou operadoras, fabricantes e publishers a atravessar a transformação digital na TV. Fale com a MADMIX e descubra onde sua empresa realmente está nessa jornada. Para aprofundar o tema, veja também nossa análise sobre a fragmentação de audiência na TV conectada.

Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

Achou relevante? Compartilhe com quem constrói no ecossistema de CTV.
LinkedIn X
Newsletter MADMIX

Receba novos artigos
direto no seu email.

Análises sobre CTV, FAST channels, retail media e TV 3.0, sem enrolação, sem spam. Só quando publicamos algo relevante.

Estratégia CTV

Quer estruturar sua estratégia de CTV?

A MADMIX ajuda operadoras, fabricantes e publishers a construírem posição e receita no ecossistema de televisão conectada.

Falar com Marcelo e Ricardo →

Respondemos em até 24 horas. Agenda limitada.