Brazil’s TV 3.0, officially called DTV+, is moving ahead in gradual phases that the government expects to last 10 to 15 years. Connected TV, however, already delivers scale and business results. Last week, Netflix Ads and Mercado Ads announced a partnership that lets advertisers in Brazil and Mexico combine Mercado Livre buyer data with Netflix’s ad-supported audience and measure results through e-commerce conversion. This is commerce media applied to CTV. Comscore reports that 88 million Brazilians watch connected TV, and MiQ expects CTV investment to grow 23.7% in 2026. Companies that wait for the new broadcast signal may find the best commercial relationships already taken. The winners will build data, partnerships and measurement today.

Commerce media CTV: esperar a TV 3.0 pode custar caro

Ninguém espera a rua encher para abrir a loja. Mesmo assim, muitas empresas de mídia esperam a TV 3.0 para começar a mudar. Enquanto isso, o commerce media CTV já funciona na tela da sala. Ele usa dados de compra para orientar anúncios na CTV, a televisão conectada à internet. Portanto, quem esperar pode chegar depois que os concorrentes fecharem as melhores parcerias.

Commerce media CTV na prática: Netflix e Mercado Ads

Na semana passada, a Netflix Ads e o Mercado Ads anunciaram uma parceria. Anunciantes do Brasil e do México poderão comprar mídia na Netflix pela rede programática do Mercado Ads. Assim, eles cruzam dados dos compradores do Mercado Livre com a audiência do streaming, segundo o Meio & Mensagem.

Os números dão escala ao movimento. O plano com anúncios da Netflix reúne mais de 35 milhões de espectadores mensais no Brasil, segundo as empresas. Já o Mercado Livre soma mais de 131 milhões de compradores por ano na América Latina. Além disso, a medição acompanha o resultado até a conversão no e-commerce.

Segundo a própria empresa, o Mercado Ads responde por mais de 60% do retail media da região. Retail media é a publicidade baseada em dados do varejo. Para o Mercado Ads, branding e performance deixaram de ser caixas separadas. Afinal, o consumidor transita entre entretenimento, descoberta e compra em poucos segundos.

Isso não significa comprar dentro da Netflix. A compra continua acontecendo no marketplace. O avanço está em ligar atenção, dados e resultado na mesma campanha. Esse é o commerce media CTV em sua forma mais concreta.

A TV 3.0 avança, mas em outro ritmo

A TV 3.0, chamada oficialmente de DTV+, moderniza a TV aberta e a integra à internet. A Copa de 2026 foi sua primeira vitrine pública, com operação experimental em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Segundo a Telesíntese, os testes partiram de protótipos de engenharia, sem conversor definitivo.

O Ministério das Comunicações prevê uma implantação gradual, a começar pelas grandes capitais. O processo completo deve levar de 10 a 15 anos. Durante esse período, o sinal atual e o novo convivem. O ministério também estima cerca de R$ 3,8 bilhões só para os transmissores das 15 maiores regiões metropolitanas.

Por isso, essa é uma transformação de ecossistema. Ela envolve transmissores, aparelhos, cobertura e adoção do público. O calendário da radiodifusão segue, portanto, um ritmo próprio. O calendário dos negócios, no entanto, não espera.

Ainda segundo o governo, a TV 3.0 permitirá publicidade segmentada e compra de produtos direto pela televisão. Esse potencial é real. Ele depende, porém, de aparelhos, dados e parceiros preparados. Por isso, quem quiser aproveitar esse recurso amanhã precisa aprender a operar dados de consumo hoje.

O custo de esperar cresce a cada campanha

Enquanto a TV 3.0 amadurece, a CTV já tem escala. Segundo a Comscore, 88 milhões de brasileiros assistem à TV conectada, o equivalente a 67% da população digital. Além disso, 84% desses espectadores tomaram alguma ação depois de ver anúncios na CTV.

A MiQ projeta alta de 23,7% no investimento em CTV no Brasil em 2026. O relatório aponta, porém, que o principal desafio é medir alcance, frequência e resultado entre dispositivos. Por isso, o commerce media CTV depende de mensuração bem construída, e não apenas de inventário.

Cada campanha gera aprendizado. Cada parceria cria relacionamento com anunciantes e varejistas. Assim, a vantagem cresce como juros compostos. Uma nova tecnologia amplia as possibilidades, mas a empresa precisa construir a capacidade de explorá-las.

Como começar agora, sem esperar o novo sinal

Emissoras têm conteúdo, credibilidade e presença regional. Esses ativos valem mais quando se conectam a dados e a produtos comerciais. Em alguns casos, faz sentido uma plataforma própria. Em outros, os canais FAST no Brasil, gratuitos e sustentados por anúncios, resolvem melhor.

A parte técnica sustenta a estratégia. Distribuição confiável, gestão de inventário, inserção dinâmica de anúncios e integração de dados precisam funcionar juntas. Além disso, o projeto exige acordos entre parceiros, proteção de dados e critérios claros de resultado. O commerce media CTV pede essa disciplina desde o primeiro dia.

A interatividade também nasce no roteiro. Em um programa de culinária, o espectador pode salvar a receita ou consultar os ingredientes. No esporte, pode ver estatísticas e ofertas contextualizadas. Cada recurso precisa dar uma razão para agir, sem atrapalhar o conteúdo.

Por fim, a mudança é cultural. Ela envolve produtoras, redações, equipes comerciais e lideranças. Instalar tecnologia sem mudar processos deixa metade do trabalho por fazer.

Conclusão

A TV 3.0 pode ampliar o futuro da TV aberta. A CTV já oferece o terreno para construir parte dele. O commerce media CTV é a ponte entre os dois calendários. Esperar que uma resolva tudo significa abrir mão do aprendizado da outra. Quando o novo sinal chegar ao espectador, que lugar sua empresa já terá conquistado?

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Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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