A new movement called Creators TV is emerging inside Connected TV (CTV). Creators are no longer just influencers posting on social feeds. They are becoming full media vehicles, running their own channels, live shows and product launches on the big screen. Brazilian data shows why the timing matters. CTV already reaches 88 million Brazilians, and YouTube consumption on TV screens has overtaken mobile. At the same time, the creator economy hit a record: 52 percent of brands now treat influence as a core communication strategy. When Artificial Intelligence, Retail Media and T-Commerce combine inside CTV, attention, intent and purchase can finally happen on the same screen, at the same moment, turning creators into standalone media businesses.

Creators TV: a Nova Fronteira da Creator Economy

O mercado de influência está prestes a ganhar um novo capítulo. Chamo esse movimento de Creators TV. Depois da corrida por seguidores, a indústria passou por métricas mais sofisticadas, Inteligência Artificial e plataformas de gestão. Agora, a fronteira se move para outro lugar: a tela da TV Conectada, também chamada de CTV (Connected TV, em inglês). Ali, o criador deixa de ser apenas um influenciador e passa a operar como um veículo de mídia completo.

Da Corrida por Seguidores à Influência Programática

Durante anos, o mercado de influência evoluiu em camadas. Primeiro vieram os seguidores. Depois, chegaram métricas mais sofisticadas. Em seguida, entraram a Inteligência Artificial e as plataformas de gestão de campanhas. Hoje, o setor caminha para a influência programática, que promete tornar tudo mais eficiente e escalável.

Os números confirmam essa maturidade. Em 2025, 52% das marcas já tratavam o marketing de influência como estratégia central de comunicação, um salto frente aos 31% registrados em 2017. Além disso, 82% das empresas classificam essa disciplina como importante ou muito importante para seus resultados, segundo o relatório Creator Economy 2026, da Mídia Market. Portanto, influenciar deixou de ser um extra no orçamento de marketing.

Essa profissionalização também aparece no caixa dos criadores. No Brasil, a fintech Noodle processou mais de R$ 600 milhões em pagamentos para criadores em 2025, com ticket médio de R$ 3.629 por criador. Ainda assim, os prazos de pagamento das marcas variam entre 30 e 120 dias, o que pressiona o fluxo de caixa de quem vive de conteúdo. Por essa razão, diversificar fontes de renda deixou de ser diferencial e virou condição de sobrevivência.

TV Conectada: a Tela que Muda o Jogo

Enquanto a indústria discute como otimizar campanhas nas redes sociais, uma transformação maior ganha espaço longe dos feeds. Ela está na televisão, mas não na TV tradicional. Está na TV Conectada.

O tamanho dessa audiência já impressiona. Em 2025, 67% da população digital brasileira assistia a conteúdo via CTV, o equivalente a 88 milhões de pessoas, segundo estudo da Comscore. Além disso, a CTV já superou o celular como principal tela de consumo de vídeo dentro de casa em plataformas como o YouTube, cuja participação saltou de 41% para 53% em três anos. Ou seja, a atenção do público já migrou para o streaming na tela grande. Falta o mercado de criadores acompanhar esse movimento com a mesma velocidade.

Creators TV: Quando o Criador Vira Emissora

A combinação entre canais FAST (Free Ad-Supported Streaming TV, ou TV gratuita sustentada por publicidade), Inteligência Artificial, Retail Media e T-Commerce cria um ambiente inédito. Nele, creators deixam de ser apenas influenciadores para se tornarem verdadeiros veículos de mídia. Mais do que produzir conteúdo, eles passam a controlar audiência, distribuição, monetização e relacionamento com suas comunidades em uma plataforma própria. É uma mudança de paradigma.

Atenção, Intenção e Conversão na Mesma Tela

Durante anos, a jornada do consumidor foi fragmentada. A atenção acontecia em uma rede social. A intenção surgia depois de uma busca. A conversão dependia de um aplicativo ou de um e-commerce à parte. Já a Creators TV reorganiza essa dinâmica em um único ambiente. Enquanto um creator apresenta um produto ou conduz um programa, a plataforma identifica interesses da audiência em tempo real, entrega ofertas personalizadas e ativa campanhas de Retail Media. Assim, a compra acontece de imediato, sem que o consumidor abandone a experiência. Pela primeira vez, atenção, intenção e conversão coexistem na mesma tela.

Inteligência Artificial no Comando da Operação

A Inteligência Artificial assume papel central nesse processo. Ela deixa de atuar apenas na seleção de creators ou na análise de campanhas para orquestrar toda a operação. Define qual conteúdo entregar, para quem, em qual momento, com qual oferta comercial e com quais produtos, aprendendo continuamente com os resultados.

Essa lógica aproxima a Creator Economy da evolução vivida pelo Retail Media, que já transformou supermercados, farmácias e marketplaces em canais de mídia rentáveis. O mesmo movimento pode transformar milhares de criadores em emissoras digitais especializadas. Cada creator passa a ser também um canal. Canais tornam-se pontos de venda. Cada interação gera novos dados, e cada dado melhora a próxima campanha.

Creators TV como Infraestrutura de Negócio

O movimento já tem sinais concretos no mercado. O YouTube, por exemplo, lançou no Brasil um programa de afiliados que permite aos criadores marcarem produtos do Mercado Livre e da Shopee diretamente em vídeos e Shorts, com pagamento por conversão. A plataforma também testa o Shoppable CTV, recurso que deixa o público comprar direto pela tela da TV ou continuar a jornada pelo celular. Esse é exatamente o tipo de infraestrutura que sustenta a tese da convergência entre Commerce Media, CTV e Shoppable TV, já mapeada aqui no blog da MADMIX.

Para as marcas, o ganho é igualmente relevante. Em vez de investir apenas em alcance, torna-se possível acompanhar toda a jornada dentro do mesmo ambiente: quem assistiu, quanto tempo permaneceu, quais produtos despertaram interesse e quais conteúdos realmente geraram venda. Esse é o mesmo raciocínio por trás da consolidação do Retail Media dentro da CTV no Brasil, tema que também já exploramos por aqui.

Conclusão

A televisão deixa de ser apenas um espaço de branding e passa a integrar branding, mídia, dados e vendas em um único ecossistema. O conteúdo conquista a atenção. A Inteligência Artificial identifica a intenção. O Retail Media entrega a oferta certa. O T-Commerce conclui a conversão. Essa sequência reduz atritos e aproxima entretenimento e comércio de forma natural.

Se a última década foi marcada pela Creator Economy, a próxima pode ser lembrada como o início da era da Creators TV. Na MADMIX, ajudamos operadoras, fabricantes e publishers a estruturar essa convergência entre conteúdo, dados e monetização. Quer discutir como isso se aplica ao seu negócio? Fale com Ricardo e Marcelo.

Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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