English Summary

Soul TV: Built Before FAST Had a Name

In 2018, Ricardo Godoy launched Soul TV, a free, ad-supported, linear streaming platform distributed globally via the internet with no cable, no antenna, no subscription fee, before the term “FAST” existed in Brazil. Pluto TV hadn’t even arrived yet. The platform launched in over 196 countries before officially operating in Brazil, with early agreements with Samsung and LG. The founding principle was deliberate: distribution first, content second. This firsthand account explains what it took to build a FAST platform from scratch and why what seemed irrational in 2018 is now the central bet of the global CTV ecosystem.

Em 2018, lancei a Soul TV sem saber exatamente como o mercado chamaria o streaming que eu estava construindo. A ideia era simples e, ao mesmo tempo, improvável para a época: uma plataforma de TV linear gratuita, com canais ao vivo, distribuída globalmente via internet, sem cabo, sem antena, sem mensalidade. Quando comecei a explicar o modelo para parceiros e investidores, a maioria ouvia com atenção e depois perguntava: “mas como você ganha dinheiro?” O conceito de FAST, Free Ad-Supported Streaming TV, ainda não tinha nome consolidado no Brasil. A Pluto TV nem havia chegado por aqui. E eu já estava operando exatamente esse modelo.

Esse relato não é sobre nostalgia. É sobre o que aprendi construindo a Soul TV do zero, e por que o que parecia loucura em 2018 é hoje a principal aposta do ecossistema global de CTV.

Entrevista com Ricardo Godoy, fundador da Soul TV

O começo: distribuição em 197 países antes de ter um canal no Brasil

A Soul TV nasceu com foco global. Antes de operar no Brasil de forma oficial, a plataforma já estava disponível em mais de 196 países, com os primeiros 30 canais e acordos operacionais em construção com Samsung e LG. A lógica era deliberada: distribuição primeiro, conteúdo depois. Porque sem estar na prateleira certa, o melhor conteúdo do mundo não encontra audiência.

Nesse ponto, a Soul TV antecipou o que hoje é consenso no ecossistema de canais FAST: a distribuição precisa vir antes do conteúdo. Quem inverte essa ordem gasta em produção e não consegue escalar. Quem acerta a sequência constrói uma base de distribuição que atrai conteúdo de forma orgânica.

Por isso, o primeiro movimento estratégico da Soul TV foi fechar o acordo global com Samsung e LG, garantindo presença nativa nas Smart TVs das duas marcas que, juntas, dominam mais de 70% do mercado brasileiro de TVs conectadas. Hoje, a plataforma está disponível na Samsung, na LG via, no Android TV, no iOS e na web.

2020: a pandemia como acelerador involuntário

O crescimento inicial foi lento. Poucos canais, ecossistema em formação, mercado ainda educando o consumidor sobre o que era TV via streaming em Smart TV. Nesse cenário, 2020 chegou e mudou tudo.

Com o isolamento, o consumo de streaming explodiu no mundo inteiro. No Brasil, plataformas de vídeo registraram crescimento de audiência entre 20% e 80% dependendo do segmento. Para a Soul TV, o impacto foi ainda mais intenso: crescimento superior a 500% em um único ano. Não porque tivemos sorte. Porque estávamos no lugar certo, na tela certa, no momento em que as pessoas passaram a encarar a TV conectada como infraestrutura de entretenimento, e não como curiosidade tecnológica.

A pandemia também acelerou algo que eu já monitorava: a migração definitiva da audiência para o modelo FAST. Com Netflix, Prime Video e Globoplay crescendo em assinantes, ficou evidente que o consumidor brasileiro queria variedade de conteúdo, mas não estava disposto a pagar por dez serviços ao mesmo tempo. O FAST, gratuito e suportado por publicidade, ocupou exatamente essa lacuna. E a Soul TV estava lá, com estrutura operacional rodando, antes que o conceito virasse pauta de evento de mídia.

Soul TV streaming: o que a diferencia no mercado global

Comparar a Soul TV com Pluto TV ou Tubi é um erro de categoria. Essas plataformas fazem TV linear com publicidade. A Soul TV, por outro lado, integra na mesma tela quatro camadas que nenhuma outra plataforma global combina simultaneamente.

A primeira é a TV linear com grade de programação ao vivo, o modelo FAST clássico. A segunda é o VOD e PPV sob demanda, com biblioteca de conteúdo disponível a qualquer hora, incluindo canais regionais brasileiros que antes tinham alcance apenas local. A terceira é o T-Commerce, o commerce integrado ao conteúdo em tempo real: o produto aparece na tela, o overlay mostra o preço, o usuário compra sem sair da experiência, com PIX ou cartão integrado. A quarta é a Social TV: enquetes ao vivo, emojis, criando uma interação entre usuários conectados na plataforma.

Nenhuma das grandes plataformas globais de FAST entrega esse conjunto. A Pluto TV e a Tubi, por exemplo, não têm T-Commerce. Além disso, Samsung TV Plus e LG Channels não têm PIX integrado nem Social TV. Por isso, a Soul TV é, hoje, a única plataforma de streaming no mundo com TV linear, commerce e social integrados em uma única interface.

Dados, inteligência e o que isso significa para marcas e anunciantes

Uma das decisões mais importantes que tomei foi manter o controle total dos dados dentro da plataforma. Todos os dados de comportamento são coletados e gerenciados internamente pela Soul TV: perfil do usuário com login e histórico, geolocalização para segmentação regional, modelo e sistema operacional do dispositivo, tempo assistido por canal e programa, audiência em tempo real e engajamento por sessão.

Isso não é detalhe técnico. É, na verdade, a base do modelo de negócio. Para marcas que querem operar em Retail Media via CTV, a capacidade de segmentar por perfil, região e comportamento dentro de uma plataforma de TV linear gratuita é exatamente o que o mercado está buscando e ainda não encontra em escala no Brasil. A Soul TV já opera com essa estrutura.

Além disso, o modelo de receita combina quatro fontes: publicidade AVOD segmentada por canal, perfil e região, T-Commerce com comissão sobre vendas realizadas dentro da plataforma, canais B2B com modelo SaaS de mídia para empresas e marcas que querem canal próprio, e PPV para conteúdo exclusivo com acesso pago. Ou seja: receitas recorrentes, escaláveis e globais.

O que a Soul TV ensina sobre o futuro da distribuição em CTV

Construir a Soul TV foi, antes de qualquer coisa, um exercício de resistência estratégica. No início, em 2018, o mercado não estava pronto. No ano seguinte, o ecossistema estava se formando lentamente. Então, em 2020, a pandemia comprimiu cinco anos de adoção em doze meses. Já em 2021, chegamos ao Brasil com 85 canais e acordos operacionais ativos com Samsung e LG. Hoje, portanto, operamos em mais de 197 países com mais de 200 canais e uma plataforma que integra o que o mercado ainda está tentando construir em silos separados.

O que aprendi nesse percurso confirma o que hoje é análise de mercado: distribuição sem dados não escala, dados sem conteúdo não retém, e conteúdo sem commerce perde a camada mais valiosa da jornada do consumidor dentro da tela.

A pergunta não é mais se a TV conectada vai ser o principal canal de mídia e consumo. Ela já é. Portanto, a pergunta real é quem vai estar posicionado para operar nela de forma integrada quando a base de receptores atingir escala total.

A pergunta é simples: você está posicionado para isso?

Se quiser entender como estruturar presença em CTV com distribuição, dados e monetização integrados, conheça o trabalho da MADMIX ou fale com nossa equipe pelo WhatsApp.

Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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