Roku is rolling out its most significant home screen redesign in years, shifting from an app-grid model to an AI-driven content discovery experience. With over 100 million streaming households worldwide and platform revenue reaching USD 4.1 billion in 2025, the new interface integrates personalized recommendations, programmatic ad placements, and sponsored content directly into the home screen. In Brazil, where Roku launched its CTV advertising platform in late 2025, the update opens new monetization opportunities for brands and content distributors. This article analyzes what the change means strategically for CTV players, advertisers, and the broader Brazilian streaming ecosystem.

Tela inicial Roku CTV: o que a maior reformulação da plataforma revela sobre o futuro da monetização no streaming

A tela inicial da Roku em CTV está passando pela maior transformação de sua história. Em 2026, a Roku iniciou a implantação gradual de uma reformulação profunda de interface para mais de 100 milhões de lares de streaming ao redor do mundo. Essa mudança não é cosmética. Ela sinaliza uma reconfiguração estratégica do modelo de negócios de plataformas de TV conectada, com implicações diretas para anunciantes, distribuidores de conteúdo e o mercado brasileiro, que a Roku escolheu como um de seus próximos alvos de expansão.

De grade de aplicativos a plataforma de descoberta: o que mudou na tela inicial Roku CTV

Por anos, a tela inicial da Roku funcionou como uma grade simples de ícones de aplicativos. O usuário abria o dispositivo, escolhia um aplicativo e assistia. A lógica era funcional, mas deixava dinheiro na mesa. A nova abordagem é radicalmente diferente.

A reformulação introduz uma seção expandida de recomendações personalizadas logo no topo da tela. Algoritmos de aprendizado de máquina analisam o comportamento de consumo por serviço, horário e dia da semana para sugerir conteúdo de forma cruzada entre plataformas. Além disso, a fila de acesso rápido passou a ser preenchida automaticamente com base nos aplicativos mais usados por cada conta.

Dois elementos chamam atenção na nova estrutura: botões de destaque dedicados ao Roku Channel e ao Guia de TV ao Vivo, os serviços proprietários da empresa, e um sistema de reorganização automática de aplicativos baseado em comportamento de uso. Por essa razão, usuários que preferiam organizar manualmente seus atalhos podem encontrar a tela reorganizada a cada sessão.

Pense na tela inicial como o cardápio de um restaurante que muda toda vez que você senta. O restaurante não quer que você peça o que sempre pede. Ele quer que você experimente o que é mais rentável para a casa. Essa é exatamente a lógica por trás do novo visual.

Monetização como motor da mudança

Os números explicam a decisão. O segmento de plataforma da Roku, responsável por receita com publicidade em vídeo e acordos de distribuição, cresceu 18% em 2025, atingindo aproximadamente 4,1 bilhões de dólares. A empresa sabe que a tela inicial é seu ativo mais valioso, e está cobrando por ele.

Por isso, a reformulação não é sobre experiência do usuário. A nova tela integra posicionamentos programáticos, recomendações patrocinadas e elementos interativos que conectam o espectador diretamente a serviços parceiros. O bloco de anúncios Marquee, formato de destaque da plataforma, agora ocupa posições ainda mais estratégicas na estrutura visual.

No entanto, a Roku precisa equilibrar pressão comercial com a experiência de quem assiste. A empresa conduz testes desde meados de 2025 com grupos pequenos e ajusta a interface a partir do retorno dos participantes. Usuários que não se adaptaram à nova tela podem, por enquanto, retornar à versão anterior nas configurações. Ainda assim, a direção é clara: a tela inicial está se tornando um canal de mídia por si só.

O papel da inteligência artificial no novo modelo de descoberta

A inteligência artificial ocupa papel central na reformulação. O Roku OS 15.1 introduziu busca por voz com capacidades de linguagem natural e personalização cruzada baseada em padrões de consumo. Segundo a própria Roku, o sistema reduz o tempo médio de descoberta de conteúdo para menos de dez minutos. Isso importa porque, em plataformas de streaming, cada minuto que o usuário navega sem assistir é uma janela de abandono.

Além disso, 72% dos usuários pesquisados pela empresa afirmaram preferir anúncios alinhados aos seus interesses em vez de peças genéricas. Esse dado é estratégico para anunciantes que buscam relevância e eficiência em campanhas de TV conectada.

Brasil: mercado prioritário para a nova estratégia Roku

Em outubro de 2025, a Roku lançou oficialmente sua plataforma de publicidade de TV conectada no Brasil. O movimento não é por acaso. Dados da Omdia indicam que o Brasil deve se tornar o terceiro maior mercado de canais FAST do mundo até 2029. Portanto, a tela inicial Roku CTV chega ao país em momento de forte aceleração.

A oferta para o mercado local inclui anúncios direcionados e exibidos durante o conteúdo, o bloco Marquee na tela inicial e acesso a dados proprietários sobre o comportamento dos espectadores brasileiros, como preferências de gênero, hábitos de consumo e padrões de uso por dispositivo. O espaço publicitário pode ser comprado diretamente da Roku ou por meio de 25 parceiros autorizados, incluindo Mercado Ads e SBT.

Esse conjunto conecta, pela primeira vez de forma estruturada, a tela da televisão com dados de audiência e ferramentas de compra de mídia em escala. Para marcas que ainda tratam a TV conectada como extensão da TV aberta, a mudança exige uma revisão completa de abordagem.

O que isso significa para distribuidores e canais locais

A reformulação da tela inicial Roku CTV levanta uma questão estratégica para canais e plataformas de conteúdo: quem controla a interface controla a descoberta. Portanto, estar bem posicionado no algoritmo de recomendação da Roku, e nos formatos de promoção integrados à tela, passa a ser tão importante quanto ter um bom catálogo.

Esse movimento tem paralelo direto com o que já acontece nas grandes lojas de aplicativos. O destaque pago vale mais do que a qualidade espontânea, pelo menos no curto prazo. Plataformas que não investem em visibilidade dentro da grade ficam enterradas nas últimas linhas da tela.

Além disso, o modelo de monetização que a Roku está construindo no Brasil, com dados primários, formatos de destaque e distribuição programática, representa um caminho concreto para plataformas que operam em modelo AVOD, sigla para vídeo sob demanda financiado por publicidade, ou em canais FAST, que são canais gratuitos sustentados por anúncios e sem necessidade de cadastro do usuário.

Especificamente para canais FAST que buscam presença no ambiente Roku, a visibilidade na nova tela inicial dependerá cada vez mais de acordos de distribuição estruturados e de presença no Guia de TV ao Vivo da plataforma. Como analisamos em nosso artigo sobre negociação de direitos de transmissão no futebol, a disputa por atenção e audiência na TV conectada passa agora pela camada de interface, não apenas pelo conteúdo em si.

Conclusão: a interface virou o negócio

A nova tela inicial Roku CTV é, acima de tudo, uma declaração de intenções. A plataforma construída sobre simplicidade de navegação está se tornando um ambiente de mídia gerenciado, orientado por dados e monetizado em múltiplas camadas. Isso é coerente com o movimento global de plataformas como Amazon Fire TV e Google TV, que também transformaram suas telas iniciais em espaços publicitários de alto valor.

Para o mercado brasileiro, o momento é relevante. O Brasil entra nessa fase de amadurecimento da TV conectada com uma base crescente de usuários de streaming, já são 86 milhões segundo dados que acompanhamos de perto na MADMIX, e um conjunto de anunciantes que ainda explora modelos de compra em televisão conectada. Como discutimos em nosso artigo sobre a Eficiência de Mídia CTV: onde vai o seu dinheiro?, a viabilidade dos formatos baseados em publicidade depende de entregar experiências relevantes a quem assiste. A nova tela inicial da Roku é uma aposta direta nessa direção.

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Autor

  • Marcelo Natali é engenheiro eletricista, especialista em CTV e sócio-fundador da MADMIX. Com mais de 16 anos de experiência em empresas como Philips, Samsung, Opera TV, Metrological, a Comcast company, Xperi e Titan OS, atua na interseção entre tecnologia, distribuição e monetização. Na MADMIX, ajuda empresas de mídia, telecom e streaming a transformar audiência, distribuição e atenção em resultados de negócio.

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