A pilot study by Coca-Cola Brazil, run with WPP Open X and IBOPE during the 2026 World Cup, cross referenced open TV, YouTube, Meta and TikTok audiences to measure unique reach instead of raw impressions. The campaign reached close to 90 percent of its target audience, and roughly a third of that coverage came only from combining TV with digital platforms. Vertical video accounted for about 40 percent of impacts. The conclusion challenges a decade of debate: TV and digital do not compete for the same audience, they complete each other. Connected TV sits at the center of this shift, blending the scale of the living room screen with the targeting and measurement native to digital. For brands and media owners, the strategic question is no longer which screen to prioritize, but how to orchestrate all of them as one ecosystem.

Convergência entre TV e Digital: a Nova Lógica da Publicidade

Durante anos, o mercado publicitário discutiu qual tela venceria a briga pela atenção. Um estudo recente da Coca-Cola, feito durante a Copa do Mundo de 2026, mostra que essa pergunta perdeu o sentido. A verdadeira força está na convergência entre TV e digital, não na disputa entre elas.

Marcas que ainda tratam os dois ambientes como territórios separados estão deixando dinheiro na mesa. E o dado que prova isso vem direto do campo.

Um Estudo Que Encerra um Debate Antigo

Em parceria com a WPP Open X e o IBOPE, a Coca-Cola cruzou dados de audiência da TV aberta, YouTube, Meta e TikTok. O objetivo era simples: descobrir quantas pessoas a campanha “Game Time” realmente alcançou, sem contar o mesmo espectador várias vezes.

O resultado impressiona. A campanha chegou a quase 90% do público-alvo. Além disso, cerca de um terço dessa cobertura só existiu porque TV e plataformas digitais trabalharam juntas. Ou seja, sem essa combinação, uma fatia relevante do público simplesmente não teria sido encontrada.

Esse número muda a conversa. Portanto, a pergunta certa não é mais “TV ou digital”, mas sim “qual combinação de telas entrega mais gente nova”.

Contar Pessoas, Não Impactos

Somar os números de cada plataforma separadamente infla o alcance. Afinal, a mesma pessoa pode assistir ao mesmo anúncio na TV, no YouTube e no TikTok, e ser contada três vezes.

A metodologia usada pela Coca-Cola eliminou essa sobreposição. Em vez de empilhar impactos, o estudo isolou pessoas únicas e calculou o alcance incremental de cada meio. Essa mudança parece técnica, mas na prática redefine a compra de mídia inteira.

O objetivo deixa de ser “comprar mais mídia” e passa a ser “encontrar quem ainda não foi encontrado”. Essa é uma virada estratégica, não apenas metodológica.

TV Dá Escala. Digital Traz Gente Nova

A televisão manteve seu papel como motor de alcance massivo, especialmente em eventos ao vivo como a Copa. Ela ainda entrega presença cultural e memória coletiva em um nível que nenhuma plataforma isolada reproduz.

O digital, por sua vez, ampliou essa cobertura ao encontrar públicos que a TV sozinha não alcançava. Os vídeos curtos verticais, por exemplo, responderam por cerca de 40% dos impactos da campanha, além de levar a marca para dentro das conversas em tempo real.

Esse movimento também aparece nos números do setor. Segundo o Digital AdSpend 2026, do IAB Brasil com a Kantar IBOPE Media, o investimento em publicidade digital chegou a R$ 42,7 bilhões em 2025, um crescimento de 12,7% sobre o ano anterior. Enquanto isso, o consumo médio de CTV (TV conectada, ou televisão ligada à internet) na América Latina já passa de 4,6 horas por dia, segundo dados citados pela Comscore. A audiência não escolheu um lado. Ela transita entre telas o tempo todo, e a mídia precisa acompanhar esse comportamento.

A CTV Como Ponte entre os Dois Mundos

A televisão conectada ocupa um lugar especial nessa convergência porque reúne o melhor dos dois universos. Ela preserva a força da tela grande e o ambiente doméstico, típicos da TV. Ao mesmo tempo, incorpora segmentação, dados e mensuração, típicos do digital.

Não é apenas mais um canal dentro do plano de mídia. A CTV funciona como uma ponte entre construção de marca e performance. Ela combina o impacto audiovisual da televisão com recursos digitais de segmentação, mensuração e otimização.

Esse movimento transforma a televisão de simples mídia em infraestrutura. Dentro do mesmo ecossistema, ela passa a reunir conteúdo, distribuição, publicidade, dados, relacionamento e possibilidades de transação.

A Nova Lógica da Publicidade

A convergência entre TV e digital exige uma mudança de mentalidade. O planejamento deixa de distribuir orçamento entre plataformas isoladas e passa a organizar uma jornada integrada de atenção.

A TV gera escala, relevância cultural e memória. O digital amplia a cobertura, segmenta públicos e estimula a interação. A CTV conecta essas duas forças e acrescenta dados, inteligência e capacidade de conversão.

Nesse novo cenário, o valor de uma plataforma não está apenas no número de impactos que entrega, mas em sua capacidade de alcançar novas pessoas, compreender comportamentos e gerar resultados mensuráveis.

A audiência já vive em um ambiente convergente. Ela assiste à televisão enquanto navega no celular, acompanha conteúdos em diferentes plataformas e alterna entre telas ao longo do dia. Portanto, a publicidade também precisa abandonar as fronteiras artificiais entre TV e digital.

A pergunta que orientará o futuro da mídia não será qual tela vencerá. Será como combinar todas elas para transformar atenção em intenção e intenção em conversão.

Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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