Brazilian retail media grew 37 percent in 2025, reaching R$4.8 billion, according to IAB Brasil. Measurement, however, did not grow at the same pace. More than 200 Retail Media Networks operate worldwide today, each with its own attribution method and reporting interface, making cross-platform comparison nearly impossible. Clean rooms are shifting from research tools into activation engines, and proof of incremental sales is becoming the central investment criterion for 2026. The challenge deepens once retail media moves into Connected TV, where a viewer sees an ad on the living room screen but converts on mobile or in a physical store days later. The IAB Tech Lab standardized new CTV ad formats in December 2025, but that alone does not close the measurement gap. What Brazil still lacks is integration between media data and models like MMM and MTA, plus a culture of data sharing between retailers, brands, and broadcasters.

Mensuração de Retail Media: o Gargalo que Ameaça Travar o Setor

O retail media brasileiro nunca cresceu tanto quanto agora. Porém, a mensuração de retail media ainda não acompanha esse ritmo. O resultado é um setor rico em investimento e pobre em prova. Cada rede varejista mede do seu jeito, com sua própria régua e seu próprio critério de sucesso. Essa falta de padrão não é um detalhe técnico. É o principal risco para quem aposta fichas nesse mercado em 2026.

O Retail Media Bateu Recorde, mas a Régua Não Acompanhou

Os números impressionam. Segundo o IAB Brasil, o retail media somou R$ 4,8 bilhões em investimento no país em 2025, um salto de 37% sobre o ano anterior. O total da publicidade digital brasileira chegou a R$ 42,7 bilhões, alta de 12,7% na comparação anual. Além disso, o DOOH, sigla para mídia digital exibida fora de casa, como telas em pontos de venda e vias públicas, somou R$ 4,4 bilhões. Isso reforça a força das telas físicas dentro da estratégia de mídia.

Esse crescimento, no entanto, aconteceu antes de o setor amadurecer seus critérios de mensuração. Por isso, o investimento avança mais rápido do que a capacidade de comprová-lo. É como acelerar um carro sem checar se o painel mostra a velocidade certa.

Cada Rede, uma Régua Diferente

O mundo já reúne mais de 200 Retail Media Networks em operação, segundo levantamento do E-Commerce Brasil. Cada uma trabalha com metodologia própria de atribuição e interface própria de relatório. Para o anunciante que compra em várias redes ao mesmo tempo, comparar resultado vira um exercício quase artesanal.

Diante disso, o mercado caminha para uma solução chamada clean room. Esse ambiente cruza dados de mídia e de venda sem expor informação sensível do consumidor. Antes, servia principalmente como ferramenta de pesquisa. Agora, começa a funcionar como motor de ativação, direcionando campanha em tempo real a partir do cruzamento de dados. Assim, a prova de incrementalidade vira o critério central de investimento em 2026, e não mais um diferencial opcional.

Quando a TV Conectada Entra na Conta

O desafio cresce quando o retail media avança sobre a CTV, sigla para Connected TV, ou televisão com acesso à internet. Já mostramos aqui como retail media e TV conectada caminham para formar uma única infraestrutura de mídia. O problema é que a TV soma uma camada extra de atribuição. Alguém vê o anúncio na sala e decide a compra no celular, ou na loja física, dias depois.

Para reduzir essa distância, o IAB Tech Lab lançou, em dezembro de 2025, um novo portfólio de formatos publicitários para CTV, padronizando modelos como Pause, Menu e Overlays. Com isso, o mercado ganha um vocabulário comum entre DSPs, plataformas de compra de mídia, SSPs, plataformas de venda de inventário, e publishers. Essa padronização ajuda a comparar campanhas. Ainda assim, ela não resolve sozinha a mensuração de retail media dentro da tela grande, tema que também tratamos ao falar sobre product placement dinâmico e a nova infraestrutura publicitária da CTV.

O Que Falta Para o Brasil Fechar essa Conta

No Brasil, a lacuna aparece com clareza nos relatórios mais recentes do setor. Falta integração entre dados de mídia e modelos como MMM, o Marketing Mix Modeling, que estima o efeito de cada canal sobre o resultado final, e MTA, a Multi-Touch Attribution, que distribui o crédito da venda entre os pontos de contato da jornada. Sem essa conexão, a mensuração de retail media fica presa a métricas de superfície, como impressão e clique.

Também falta cultura de colaboração entre varejista, indústria e veículo. Muitas vezes, cada lado guarda seu dado como segredo comercial. Porém, sem compartilhamento, não existe prova de incrementalidade possível. E sem prova, o orçamento migra para quem souber demonstrar resultado com mais transparência.

Conclusão: A Vantagem Vai Para Quem Resolver a Régua Primeiro

O retail media não vai parar de crescer. Portanto, a pergunta não é mais se o setor vai amadurecer sua régua de mensuração, mas quem vai chegar lá primeiro. Quem construir clean room, integrar CRM, mídia e venda, e aplicar um modelo de incrementalidade sólido, sai na frente na disputa por orçamento.

Na MADMIX, ajudamos operadoras, fabricantes e varejistas a transformar essa complexidade em estrutura de decisão. Se sua empresa já sente esse gargalo na hora de provar resultado em CTV, retail media ou mídia digital, fale com a gente.

Autor

  • Ricardo Godoy

    Fundador da Soul TV, plataforma global de CTV presente em 197 países e com quase 200 canais de TV distribuídos na plataforma, e cofundador da MADMIX. Atua há mais de 30 anos nos setores de tecnologia, mídia e inovação. Entre 2005 e 2009, produziu mais de 100 peças publicitárias premiadas no Cannes Lions International Festival of Creativity. Em 2011, dirigiu e desenvolveu o primeiro filme interativo para CTV na plataforma LG no mundo, em projeto realizado para a WMcCann.

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